quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Educação a distância vale a pena?

Por Ana Rita Martins e Anderson Moço

De 2000 para cá, a chamada EAD cresceu 45.000% em números de alunos no país. Muita gente, no entanto, ainda fica de pé atrás com quem tirou diploma de Pedagogia ou Licenciatura nessa modalidade de ensino. Para avaliar se isso é puro preconceito, veja o que é mito e verdade nessa área.

Para quem mora longe de uma universidade ou não pode ir à aula todos os dias, a Educação a distância (EAD) parece ideal. Por isso, ela tem conquistado tanto espaço. Em 2000, 13 cursos superiores reuniam 1.758 alunos. Em 2008, havia 1.752 cursos de graduação e pós-graduação lato sensu com 786.718 matriculados, segundo a Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed). A modalidade de ensino usa ambientes virtuais, chats, fóruns e e-mails para unir professores e turmas. Assim, quem é de Ribeirão Cascalheiras, a 900 quilômetros de Cuiabá, por exemplo, pode se formar em Pedagogia pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), que mantém um polo na cidade.

As experiências no ensino a distância por aqui começaram no início do século 20, com cursos profissionalizantes por carta, rádio e, mais tarde, pela TV. Só com a internet e a banda larga, eles se tornaram viáveis na graduação e na pós.

Apenas recentemente começamos a apostar na EAD como uma saída para suprir a demanda por formação superior no país. Criada em 2005, a Universidade Aberta do Brasil (UAB) tem como prioridade a formação inicial de professores da Educação Básica pública, além de formação continuada aos graduados. Por meio de parcerias entre 38 universidades federais, a UAB oferece 92 opções de extensão, graduação e pós-graduação.

Poucos formados e falta de fiscalização preocupam

Estudo de 2007 capitaneado por Dilvo Ristoff, então diretor do Departamento de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), comparou os resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade/2006) nas modalidades presencial e a distância. Das 13 áreas em que o confronto foi possível, os de EAD se saíram melhor em sete: Pedagogia, Biologia, Física, Matemática e Ciências Sociais, além de Administração e Turismo. Isso mostra que o fato de as aulas serem a distancia não significa que elas sejam de pior qualidade.

No entanto, é forte a desconfiança no mercado de trabalho em relação aos egressos dessa modalidade. Isso, em parte, por haver poucos diplomados. Dados do Inep revelam que, enquanto a graduação presencial formou 736.829 profissionais em 2006, o ensino a distância contabilizou apenas 25.804. Esse contingente ainda é pequeno para que as redes avaliem a competência deles.

Além disso, especialistas apontam graves problemas na forma como a EAD tem sido conduzida no país. No estudo Professores do Brasil: Impasses e Desafios, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a coordenadora Bernardete Gatti, da Fundação Carlos Chagas (FCC), relata que o governo federal ainda não dispõe de aparato suficiente para acompanhar, supervisionar e fiscalizar os cursos, fato que comprometeria sua qualidade. Outro ponto frágil da política governamental, segundo o trabalho, seria a pouca verba destinada aos tutores (que acompanham a aprendizagem dos grupos), feito por meio de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o que tornaria a qualificação dos profissionais precária.

Para não entrar em uma arapuca, o importante é avaliar as opções antes de se decidir. O documento Referências de Qualidades para a Educação Superior a Distância, elaborado pelo Ministério da Educação (MEC), indica o que você tem direito de saber antes de se matricular:

- Métodos de ensino da universidade;

- Tecnologias usadas;

- O tipo de material didático usado;

- Os tipos de interação disponíveis;

- Quanto tempo leva para o tutor responder às dúvidas.

Outra medida importante é verificar se a instituição está credenciada, se é reconhecida e se já foi fiscalizada. Para isso, basta pesquisar no site siead.mec.gov.br, que traz as instituições que oferecem graduação e pós lato sensu a distância.

Tão importante quanto essas medidas é analisar se o modelo preenche suas necessidades e se é adequado ao seu perfil (faça o teste para saber se você tem o perfil do aluno a distância). Muito se diz sobre a EAD, mas nem tudo pode ser levado a sério. Para ajudar você a conhecer melhor essa modalidade, selecionamos as 16 afirmações mais comuns sobre ela e, com base em estudos, estatísticas e opiniões de renomados especialistas, esclarecemos o que é mito e o que é verdade.


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Pré-requisito para a matrícula

Qualidade pedagógica

Rotina do aluno

Estrutura e corpo docente

Perspectivas para o formado

 
Fonte: Revista Nova Escola

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Cursos tecnólogos

Práticos e dirigidos para as necessidades do mercado, os cursos tecnólogos preparam profissionais para antigas e novíssimas áreas.

Desde que surgiram, os cursos superiores de tecnologia [graduação tecnológica] ou simplesmente cursos tecnólogos, têm brigado para ganhar respeito e valorização. Quem faz um deles não tem dúvida: é uma opção muito interessante para ganhar uma formação específica, com foco total no mercado de trabalho e geralmente possível de ser concluído em bem menos tempo do que uma graduação tradicional.

Para se ter uma ideia do crescimento desses cursos, em 2000 o estudante podia contar com 364 opções em todo o país. Hoje, são mais de 3.500, algumas em áreas do conhecimento que nunca se imaginou estudar no passado, como Ciências Eqüinas e Produção de Música Eletrônica. “Finalmente a educação profissional e tecnológica em nosso país está merecendo a importância estratégica de que já desfruta em muitos países”, comemora Paulo Roberto Wollinger, coordenador-geral de Desenvolvimento e Modernização do Ministério da Educação (MEC).

Os tecnólogos representam 16% das opções no universo da graduação, um número que começa a se aproximar dos 20% que existe em países desenvolvidos.

Oficializados pelo MEC, eles são incluídos na modalidade de Educação Profissional e recebem supervisão da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec).

Características

Os cursos superiores de tecnologia, como o nome diz, conferem aos alunos diploma de nível superior. Isso significa, na prática, que ele pode se apresentar como candidato para qualquer vaga que exija a formação universitária, desde que não haja restrição quanto a uma área específica. Nas universidades, os cursos superiores de tecnologia são equivalentes ao bacharelado e à licenciatura, permitindo que o aluno faça qualquer tipo de pós-graduação depois de sua conclusão.

Outra vantagem dos cursos tecnólogos é a duração. Com algumas exceções, que exigem até quatro anos de estudo, a maior parte não se prolonga além dos três e alguns chegam a durar apenas dois anos. Isso acontece porque o foco do curso é sempre voltado para as necessidades do mercado de trabalho. Por isso, o estudo é concentrado e extremamente ligado à prática – tanto que o estágio é geralmente o ponto alto da empreitada. “As graduações tecnológicas são recortes do mundo do trabalho, elas aprofundam estudos e soluções, por meio da pesquisa aplicada, em atividades profissionais”, explica Paulo Roberto Wollinger, coordenador-geral de Desenvolvimento e Modernização do Ministério da Educação (MEC). “Em geral, abrangem o domínio, o aprimoramento e o gerenciamento de equipamentos, instrumentos e métodos na realização de suas atividades.”

Perfil do aluno

Segundo Denise de Cássia Simitan Barros, coordenadora dos cursos tecnológicos da Universidade Paulista (Unip) em São Paulo, o perfil dos alunos que procuram os cursos tecnólogos é diferenciado em relação ao dos estudantes da graduação tradicional. “São, em geral, pessoas mais velhas, 80% já trabalham e procuram o curso ou para obter um diploma na área em que atuam ou para aumentar um conhecimento específico", diz.

Uma pesquisa da Associação Nacional de Educação Tecnológica (Anete) confirma essa tendência. De acordo com o levantamento, a demanda por esses cursos é grande entre pessoas com idade média de 29 anos, que já possuem experiência no mercado mas ainda não têm formação superior.

Esse modelo de aluno ainda é predominante, mas pessoas mais jovens também estão optando por esse tipo de graduação.

A opinião de quem faz

O paulista Dorival Timóteo Leite, de 54 anos, já tinha experiência profissional, mas não possuía formação superior. Policial militar aposentado, ele cursa o superior tecnológico em Gestão em Segurança Empresarial e Patrimonial na Universidade Paulista (Unip).

Teve a idéia de ingressar em um curso tecnólogo quando montou, por conta própria, sua empresa de segurança. “Sempre desejei fazer uma faculdade, mas não queria um curso prolongado porque não sou mais nenhum menino e seria difícil cursar toda uma graduação tradicional”, justifica. “Esse curso me dá mais dinâmica e aumenta minha capacidade de comunicação no mercado.”

O tempo também foi o fator determinante na decisão do estudante baiano Fillype Jorge Bezerra Marques, de 21 anos, que cursa o tecnólogo de Mecânica (Mecatrônica Industrial) na Faculdade de Tecnologia Senai Cimatec , em Salvador (BA).

Apesar da pouca idade, preferiu um curso mais rápido e voltado para a prática, pensando no retorno rápido de seu investimento. “Dá para trabalhar um ano e meio antes dos alunos que cursam Engenharia”, comemora. “Acho que, na hora de entrar no mercado, as chances do tecnólogo e do engenheiro são as mesmas”, arrisca Fillype, que já atua como técnico do Senai, ministrando aulas e fazendo consultorias em empresas.

É comum ver pessoas com mais de 30 anos nas salas de aula de cursos tecnólogos. A secretária Cláudia Santiago Rezende Santos, de 39 anos, por exemplo, está no primeiro período do Curso Superior de Tecnologia em Secretariado da Universidade Vale do Rio Doce (Univale-MG) em Governador Valadares.

“Queria estudar para me aperfeiçoar e por exigência do mercado, mas precisava conciliar a casa, minha família, o trabalho, e vi que precisava de um curso rápido e direcionado”, lembra. “O tecnólogo é dinâmico e o que aprendo na aula uso rapidamente no meu dia-a-dia profissional. Tanto que melhorei muito tarefas que envolviam escrita e atendimento”, conta. Ela diz, ainda, que em sua classe os alunos têm idade de 18 a 50 anos. “Isso cria um universo muito rico”, afirma

História e evolução

Originalmente, os cursos tecnólogos eram de fato voltados exclusivamente para o setor de tecnologia, ou seja, focados no incremento de áreas de infra-estrutura essenciais para a economia do país. Mas o conceito se expandiu e os serviços e estudos ambientalistas, por exemplo, começaram a entrar de forma pesada na grade de opções.

Tudo começou em 1996, a partir da nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação Nacional, quando esse modelo de curso foi reconhecido como superior e passou a dar direito a uma pós, lato ou stricto sensu, e assumiu um caráter mais amplo, passando a integrar a Educação Profissional de Nível Tecnológico.

Atualmente, ao lado de cursos tradicionais como Automação e Controle e Mecânica, há cursos para formação de tecnólogos em áreas diversas, como agropecuária, artes, comércio, comunicação, construção civil, design, gestão, informática, meio ambiente, saúde, telecomunicações, turismo e hotelaria.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Formação superior garante renda melhor

Por Márcia De Chiara - O Estado de S.Paulo

Estudos mostram que 72% daqueles que concluem a universidade têm acréscimo médio de 55% no salário.

Cursos de curta duração e ligados às áreas de tecnologia e gestão são os mais procurados pelos estudantes de menor poder aquisitivo. A intenção é obter rapidamente qualificação profissional e melhorar o salário.

"Esse estrato da população que num primeiro momento comprou bens de consumo antes inacessíveis entendeu que para ascender socialmente é preciso estudar para fazer mais renda", afirma o diretor executivo de marketing do Grupo Educacional Estácio, Pedro Graça.

Pesquisa do Sindicato das Entidades de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) com as 500 maiores empresas do Estado mostra que 86% dos jovens empregados recém contratados se formaram em escolas privadas de ensino superior. Desse grupo, 72% tiveram alteração de salário após a conclusão do curso, com um aumento médio de 55% nos vencimentos.

Segundo Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, 35% dos recém formados mudaram de empresa após a conclusão do curso e 58% mudaram de cargo.

Renato Meirelles, sócio diretor do instituto Data Popular, lembra que cada ano de estudo acrescenta 15% a mais no salário para as pessoas da mesma idade, segundo pesquisa do IBGE. Ele aponta também outro dado relevante que solidifica a ascensão das classes de menor renda: 72% dos jovens de classe D estudam mais que os seus pais.

Filho de pai aposentado que trabalha como mestre de obra e mãe dona de casa, Edinaldo Oliveira Santiago, de 39 anos, cursa o 7º semestre de engenharia ambiental numa faculdade particular e é retrato fiel de que com maior escolaridade a ascensão social se consolida.

Depois de quase 15 anos longe da escola, Santiago recomeçou a faculdade em janeiro de 2008. Com segundo grau em técnico de edificações, ele trabalhou por 16 anos na Sabesp, onde ganhava até um mês atrás R$ 2,2 mil na área de tratamento de efluentes.

"Faz dois meses que decidi mudar de emprego. Fiz cadastros online e mandei os currículos", conta. Uma semana após o cadastramento, as novas oportunidades de emprego apareceram. Ao todo foram dez com ofertas melhores de salário.

O estudante optou pela vaga em multinacional que só o contratou pelo salário de R$ 3,8 mil pelo fato de ele estar cursando engenharia ambiental e trabalhar na área há bastante tempo. "Voltar a estudar foi a decisão mais acertada que tomei. Além disso, passei a ver que eu tinha mais possibilidades", diz Santiago. Quando concluir o curso de engenharia, ele acredita que o seu salário pode chegar a R$ 6 mil ou R$ 7 mil.


domingo, 21 de novembro de 2010

Parecer da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal sobre o Projeto de Lei nº 2.245/2007 (Regulamenta a profissão de Tecnólogo)

COMISSÃO DE EDUCAÇÃO E CULTURA

PROJETO DE LEI Nº 2.245, DE 2007 - REGULAMENTA A PROFISSÃO DE TECNÓLOGO E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

Autor: Deputado REGINALDO LOPES

Relatora: Deputada MARIA DO ROSÁRIO

I - RELATÓRIO

O Projeto de Lei n.º 2.245, de 2007, tem por objetivo regulamentar a profissão de Tecnólogo, nas modalidades relacionadas no Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia do Ministério da Educação - MEC.

A proposição determina as atribuições dos Tecnólogos, a possibilidade do profissional se responsabilizar, tecnicamente, por pessoa jurídica, a reserva da denominação de Tecnólogo aos profissionais legalmente habilitados na forma da legislação vigente, as atribuições dos Conselhos Federais e Regionais de fiscalização do exercício profissional da respectiva área e a atribuição do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE - para o registro profissional dos Tecnólogos.

O projeto foi distribuído à Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público – CTASP, sendo designado como relator o nobre Deputado Vicentinho.

A CTASP aprovou a proposição na forma do substitutivo apresentado pelo eminente relator que suprimiu a menção ao Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia, elaborado pelo MEC, bem como as atividades que podem ser exercidas pelos tecnólogos. Além de eliminar o caráter privativo do exercício da profissão, dar nova redação ao artigo que trata da fiscalização do exercício da profissão e afasta a atribuição do MTE para o registro profissional dos Tecnólogos.

Após, o Projeto de Lei foi distribuído à Comissão de Educação, sendo designada relatora.

Transcorrido o prazo regimental, não foram apresentadas emendas.

É o relatório.

II - VOTO DA RELATORA

A intenção da proposição em apreço é meritória, na medida em que tem claro interesse social para conferir o reconhecimento e a valorização aos trabalhadores tecnólogos.

Preliminarmente, faço menção às diferentes perspectivas do bacharelado e da graduação tecnológica. As graduações tecnológicas desenvolvem competências profissionais específicas, a partir de organização curricular de caráter mais prático e de maior mobilidade, aspecto em que se diferencia da formação dos bacharelados.

O diferencial de um curso superior de tecnologia é o aprofundamento do conhecimento em determinado assunto. Para ilustrar, tomo o exemplo do tecnólogo em Marketing, por exemplo, comparativamente ao bacharel em Administração. Enquanto o curso frequentado por este último propiciou o enveredamento por ampla área do saber, com largo espectro de atuação, o egresso do curso superior de tecnologia, por seu turno, sem prejuízo dos domínios sobre cultura e ética, terá experimentado um enfoque em marketing, setor este também passível de exercício pelo egresso do outro tipo de curso. O cursista do programa generalista, a fim de garantir competências específicas de marketing, haverá de ir mais a fundo na linha de formação correspondente, ao passo que tecnólogo, no decurso de seus estudos, terá, naturalmente, se concentrado nesse campo.

Em termos de especialização, considera-se que a aptidão para a atividade naquele setor específico de marketing será percebida mais nitidamente no tecnólogo.

Apesar de promissoras as carreiras técnicas e tecnológicas, infelizmente, regra-geral, acabam por serem relacionadas ao rótulo de ocupações "inferiores". Vale lembrar que as graduações tecnológicas existem no Brasil desde a década de 60 do século passado, mas, a despeito das sólidas bases legais nas quais se assenta essa modalidade, até hoje se busca romper com preconceitos em relação à formação e à atuação profissional dos egressos.

Nesse sentido, salienta-se que um curso tecnológico não é um retalho de determinado curso de bacharelado. Enquanto o curso frequentado pelo bacharel procura abranger ampla área de conhecimento, o curso superior de tecnologia se concentra em determinado campo, podendo ser este no mesmo setor passível de exercício pelo egresso do curso de bacharelado – em termos de “extensão” e “profundidade”, considera-se que o cursista do programa generalista, a fim de garantir competências específicas, haveria de se especializar numa linha de formação possivelmente disponível no seu programa de caráter geral, sendo o fator “foco”, por outro lado, um traço natural nos cursos tecnológicos.

Outrossim, ordinariamente há o falacioso argumento de que o ensino tecnológico seria de baixa qualidade. Como em toda modalidade de graduação, um programa de ensino adequado, em conformidade com a realidade atual, é reflexo duma boa proposta pedagógica, no contexto duma instituição saudável, do ponto de vista legal e financeiro, com instalações de biblioteca, laboratórios específicos, salas de aula, corpo docente, dentre outros fatores, condizentes com as necessidades didáticas.

Considera-se ainda que, desde o ano de 2007, graduações tecnológicas constam no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE, avaliação aplicada, também a alunos de cursos de bacharelado e de licenciatura, para medir o desempenho esperado perante padrões previstos nas diretrizes curriculares correspondentes, integrando o SINAES, juntamente com a avaliação institucional e a avaliação dos cursos de graduação propriamente.

Todo interessado em frequentar um bom curso, independente da natureza deste, tecnológica ou não tecnológica, deve atentar para tais indicadores.

A perspectiva sobre os cursos tecnológicos no País ainda precisa ser melhorada, principalmente se compararmos a situação correlata em nações desenvolvidas, entretanto, apesar dos reveses, indicativos de uma “nova postura” da sociedade brasileira sobre o assunto já são percebidos.

Mudanças na legislação educacional e aumento de investimentos públicos de qualificação e expansão, sobretudo no contexto de crescente demanda por trabalhadores frente a uma economia pujante, vem resultando um crescimento destacado nas matrículas em cursos superiores de tecnologia nos últimos anos, representando atualmente 16% da oferta de graduação no País. Conforme o Censo da Educação Superior 2008, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), naquele ano o Brasil registrou 421.000 ingressos nesse segmento de ensino, correspondendo a um aumento de 18,7% sobre o ano de 2007, com salto gigantesco em relação ao ano de 2002, quando o total de matrículas era de 81.300.

Em sintonia com o impulso, editou-se no ano de 2006 o Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia, um “guia” para estudantes, educadores, instituições ofertantes, entidades representativas de classes, empregadores e o público em geral, tendo a publicação propiciado uma inédita organização da oferta de cursos superiores de tecnologia no País.

A efetivação do Projeto de Lei 2.245/2007, portanto, implicará em alterações profundas nas atribuições dos profissionais tecnólogos, com repercussão significativa na sociedade como um todo.

Diante dessas ponderações, apontamos apenas pequenas ressalvas ao Substitutivo aprovado na Comissão que nos antecedeu.

A despeito do Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia os nobres colegas da CTASP argumentam que “uma lei que vise regulamentar uma profissão não pode estar atrelada a uma classificação de um guia que tem como objetivo orientar a oferta de cursos”. Segundo ponderação, tal amarração “está em desacordo com o caráter genérico e flexível que se deva dar a um diploma legal que exemplifique as habilidades e as competências do profissional”.

Pedimos licença para discordar de tal argumento. O ordenamento jurídico previsto para regulamentar as profissões dos tecnólogos explicitará as atividades desses profissionais em termos genéricos, subentendendo-se que a execução dos fazeres introduzidos no texto legal dar-se-á mediante competências, “no âmbito de cada modalidade específica”, adquiridas, conforme revelarão os currículos escolares efetivamente cursados, nos programas relacionados no Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia do Ministério da Educação.

A publicação, importante ferramenta de regulação do funcionamento de cursos pelo poder público e de construção de currículos pelas instituições de ensino superior, há de figurar no dispositivo legal vislumbrado com o fito de paralelizar didaticamente 1) o contexto das normas de oferta com 2) o meio da regulamentação das profissões. Nesse caso, a menção ao Catálogo no texto da lei não objetivaria estender à sistemática dos órgãos de classe a obrigação imperiosa de que se reveste o instrumento no escopo da ação do Ministério da Educação.

No que concerne as atividades que podem ser desempenhadas pelo tecnólogo é importante a sua manutenção no projeto. Isso porque, a descrição de um rol exemplificativo de atividades não permite que o profissional tecnólogo tenha suas atividades remetidas a tarefas menores e ocupações “inferiores”, ínfero a sua formação profissional.

Irrepreensível o substitutivo aprovado na CTASP no tocante a retirada da exclusividade no exercício das ocupações desempenhadas pelos tecnólogos. A limitação de exercício profissional pode ter como objetivo a criação duma escassez artificial de profissionais em determinados setores, o perverso fenômeno da “reserva de mercado de trabalho”, problema bastante conhecido por tecnólogos – muitos são privados do direito de trabalhar de forma plena em segmentos reservados a graduados em cursos não tecnológicos.

Não caberia, nesse sentido, a exclusividade a tecnólogos no exercício das ocupações por eles desempenhadas, zelando-se, naturalmente, pelo regulamento profissional correspondente.

Além disso, propõe-se nova redação no tocante as entidades e órgãos responsáveis pela fiscalização do exercício profissional com o fito de dar maior precisão ao texto.

Por fim, observa-se que no sentido estrito ora exigido, o termo “tecnólogo”, ao designar estudante egresso de curso superior de tecnologia, garantindo-lhe um grau dentre as etapas da educação profissional e tecnológica, imprime significado genérico aos diversos profissionais formados em cursos dessa natureza. Não caberia, pois, tomar “tecnólogo” por uma profissão, assim como não se fala em “profissão de bacharel” ou “profissão de licenciado”.

Assim, de forma a não se suprimir a variedade de especialidades e a multiplicidade de domínios operacionais, possíveis em função da diversidade de cursos superiores de tecnologia existentes, é apropriado que, alternativamente à expressão de ementa “regulamenta a profissão de tecnólogo”, o apontamento seja “regulamenta o exercício das profissões dos tecnólogos”.

Destarte, considerada a relevância da proposição para o reconhecimento e valorização dos trabalhadores tecnólogos, importante observar-se a contribuição da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica - SETEC, que mediante discussões com os diversos segmentos afetados, apresentou diversas sugestões que contribuíram na elaboração desse parecer e substitutivo que segue.

Diante do exposto, voto pela aprovação do projeto de lei nº 2.245, de 2007, nos termos do substitutivo anexo.

Sala da Comissão, em 19 de novembro de 2010.

Deputada MARIA DO ROSÁRIO
Relatora


SUBSTITUTIVO AO PROJETO DE LEI Nº 2.245/2007

Regulamenta o exercício das profissões dos tecnólogos.

O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º - É livre o exercício das profissões dos tecnólogos aos portadores de diplomas de graduação tecnológica:

I – expedido por instituição brasileira de ensino superior oficialmente reconhecida; ou

II – expedido por instituição estrangeira de ensino superior, revalidado na forma da lei, cujos cursos foram considerados equivalentes aos mencionados no inciso anterior.

Art. 2º - São atividades dos tecnólogos, no âmbito de cada modalidade específica, de acordo com análise do perfil profissional do diplomado, de seu currículo integralizado e do projeto pedagógico do curso regular, em consonância com as diretrizes curriculares nacionais:

I – analisar dados técnicos, desenvolver estudos, orientar e analisar projetos executivos;

II – elaborar e desenvolver projetos;

III – elaborar especificações, estudos de viabilidade, instruções, divulgação técnica, orçamentos e planejamentos;

IV – dirigir, conduzir, orientar, coordenar, supervisionar e fiscalizar serviços técnicos nas suas áreas de competência;

V – desenvolver processos, produtos e serviços para atender a necessidades de projetos e de demandas de mercado;

VI – realizar vistorias, avaliações, pareceres e laudos técnicos;

VII – executar e responsabilizar-se tecnicamente por serviços e empresas;

VIII – desempenhar cargos e funções técnicas no serviço público e nas instituições privadas;

IX – prestar consultoria, assessoria, assistência, auditoria e perícia;

X – exercer o ensino, a pesquisa, a análise, a experimentação e o ensaio; e

XI – conduzir equipes na execução de serviços técnicos.

§ 1º - Poderão ser exercidas outras atividades, inclusive as relativas a habilidades eventualmente adquiridas em cursos de pós-graduação, de especialização ou de aperfeiçoamento, além das previstas nos incisos do caput deste artigo, mediante análise, pelo correspondente órgão de fiscalização do exercício profissional, do conteúdo curricular do curso superior de tecnologia considerado.

§ 2º – Cada modalidade específica, dentre as relacionados no Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia do Ministério da Educação, revelará, de acordo com o currículo escolar efetivamente cursado, as competências profissionais do tecnólogo considerado, valendo a mesma para a definição do respectivo título profissional.

§ 3º - As instituições de ensino superior que mantenham cursos superiores de tecnologia sobre os quais se estabeleça a fiscalização do exercício profissional informarão aos órgãos regulamentadores competentes as características dos egressos por ela diplomados.

Art. 3º - O tecnólogo poderá responsabilizar-se tecnicamente por pessoa jurídica, desde que o objetivo social desta seja compatível com as atribuições do profissional.

Art. 4º - A designação “tecnólogo”, em sentido estrito, o indivíduo egresso dum curso superior de tecnologia, fica reservada ao profissional legalmente habilitado na forma desta lei, observada no respectivo registro a modalidade específica de pertença do tecnólogo.

Art. 5º - A fiscalização do exercício profissional do tecnólogo será exercida, de acordo com cada modalidade, pelos órgãos de regulamentação e fiscalização existentes.

Art. 6º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Sala da Comissão, em 19 de novembro de 2010.

Deputada Maria do Rosário
Relatora

FonteCamara.gov.br/PL2245-2007

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Situação de trabalho dos Tecnólogos

Por Décio Moreira

Documentos oficiais e pesquisas mostram que os tecnólogos estão empregados com índices de empregabilidade acima de 90%; que são importantes para o setor produtivo; que a expansão na oferta de cursos de tecnologia é meteórica e que os governos investem milhões com os cursos de tecnologia. Paradoxalmente os tecnólogos encontram dificuldades de reconhecimento e de pleno exercício profissional e de inserção.

Estão sujeitos a discriminação, principalmente dos órgãos e empresas públicas, sejam elas, federais, estaduais ou municipais, que não os incluí nos planos de cargos. A Petrobrás é o exemplo de atitude acintosa, pois em seus editais de concursos escreve que não aceita tecnólogos. Superados alguns conceitos discriminatórios apresentados nos documentos oficiais anteriores a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional - LDB de 1996, esta lei trouxe nova conceituação, características e finalidades para os cursos de tecnologia, assim tiveram uma grande evolução quantitativa e qualitativa. Para se ter uma idéia, segundo dados do MEC/INEP (2009), da evolução quantitativa em 1996 eram 100 cursos de tecnologia em São Paulo, em 2008 eram 1.601 com 175.237 matrículas e 38.855 egressos.

Fato relevante a ser considerado é a recente inclusão, janeiro de 2010, de 81 títulos de tecnólogos na Classificação Brasileira de Ocupações – CBO que é o documento normalizador do reconhecimento, da nomeação e da codificação dos títulos e conteúdos das ocupações do mercado de trabalho brasileiro. É ao mesmo tempo uma classificação enumerativa e uma classificação descritiva. Definitivamente as mudanças positivas estão acontecendo e será necessário incluir os tecnólogos nos planos de cargos no setor público, ação dependente da vontade política dos parlamentares e governantes, como indicativo de efetivo reconhecimento e importância dos tecnólogos para o país e principalmente como justificativa dos investimentos nessa formação.

A mudança de cultura é uma questão antiga, mas mantendo a confusão sobre o ensino, a fase anterior a 1996, foi marcada por uma visão estratégica importante, mas os especialistas deixaram registrados os aspectos culturais elitistas e corporativos. Estava presente nos documentos oficiais a necessidade de profissionais para ocuparem funções subalternas e não transformadores de conhecimentos em inovações.

A figura do bacharel, do universitário, do acadêmico, é destacada em detrimento de outras formas de educação e formação, por exemplo, os cursos de tecnologia. A adjetivação inadequada de cursos de curta duração, intermediário, terminal, oferecido para estudantes menos favorecidos, dentre outros, foram superados em parte. Ainda temos corporações que não perceberam a importância de ampliarmos as opções profissionais na perspectiva de uma melhora tecnológica, social e econômica dos nossos jovens e em conseqüência do país.

Outro conceito inadequado que deve ser reavaliado é o daqueles que afirmam que o avanço tecnológico exige profissionais qualificados, tornando difícil a comunicação entre os engenheiros, bem qualificados, e os demais profissionais da cadeia produtiva, menos qualificados. Em conseqüência os engenheiros acabam assumindo funções menos nobres. Para evitar essa subutilização dos engenheiros os tecnólogos assumiriam essas funções.

O conceito apresentado acima, altamente preconceituoso, trata da subutilização do engenheiro provocada pelo avanço tecnológico. A subutilização profissional continua existindo e no caso dos tecnólogos, por razões distintas, ela pode ser constatada na pesquisa realizada pelo autor, onde as empresas respondem que os tecnólogos não tem autonomia para as atividades: supervisão (26%), estudo (19%), planejamento (9%), projeto (7%) e direção (12%). Ainda que alguns índices sejam baixos inclusive nas respostas das faculdades, não se pode admitir que um graduado não tenha formação e autonomia para assumir as responsabilidades por atividades próprias da sua graduação. Infelizmente os tecnólogos ainda estão sujeitos a reserva de mercado e oportunismo de muitos empregadores. A grande transformação ocorrida a partir de 1996, com grande incentivo a expansão da oferta de cursos de tecnologia, não resolveu alguns problemas de reconhecimento e inserção. Romper com a reserva de mercado, valorizar a competência e não o título de formação depende da ação dos tecnólogos, das entidades representativas e, principalmente, dos governantes que fazem apologia aos cursos de tecnologia.

As finalidades dos cursos de tecnologia estão bem definidas, quais sejam: incentivar o desenvolvimento da capacidade empreendedora e da compreensão do processo tecnológico da produção e da inovação científico-tecnológica; desenvolver competências profissionais tecnológicas, gerais e específicas, para a gestão de processos e a produção de bens e serviços; promover a capacidade de continuar aprendendo e de acompanhar as mudanças nas condições de trabalho; propiciar o prosseguimento de estudos em cursos de pós-graduação; propiciar a compreensão e a avaliação dos impactos sociais, econômicos e ambientais resultantes da produção, gestão e incorporação de novas tecnologias.

Essas características vem ao encontro da atual conjuntura onde o conhecimento é o carro chefe. Para um país que pretende destacar-se e sair da condição de consumidor de tecnologia para produtor de tecnologia, precisa inovar, e isso só acontecerá efetivamente se o investimento em educação for levado a sério e o resultado dessa educação representar reconhecimento e inserção social e profissional.

A inovação começa com o próprio sistema educacional que precisa deixar suas raízes bacharelescas e essencialmente acadêmicas universitárias, para um sistema múltiplo contemplando outras formas de educação e profissionalização. Quando 23% das faculdades que responderam à pesquisa apontam que seus egressos não podem assumir responsabilidades sem restrição na área de formação, alguma coisa precisa ser feita. Não será esse tipo de escola que contribuirá para o desenvolvimento tecnológico esperado.

Quando a Confederação Nacional da Indústria – CNI afirma que o desafio de aumentar a densidade tecnológica das empresas brasileiras exigirá não só muitos engenheiros de qualidade como também tecnólogos de primeira linha para trabalhar ao lado destes e também constata que a oferta de cursos que formam tecnólogos está muito aquém das necessidades. Cabe refletir sobre que tecnólogo está falando, se um graduado com autonomia e liberdade de ação com capacidade empreendedora e da compreensão do processo tecnológico, da produção e da inovação científico-tecnológica, ou se um tecnólogo dependente e subalterno dos engenheiros. Os cursos de tecnologia representam uma opção estratégica para o país, mas alguns problemas como os acima apresentados precisam ser enfrentados com o mesmo interesse e empenho usado para a sua expansão.

Finalmente, pensando numa política nacional, há de se refletir sobre o aumento da oferta de cursos de tecnologia e maior controle na oferta dos bacharelados, estes devem ser oferecidos por instituições de ensino que comprovem excelência e para um público que realmente tem vocação para o estudo teórico aprofundado e a pesquisa científica.

Décio Moreira
Tecnólogo em Construção Civil pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo - FATEC-SP. Mestre em Engenharia de Transportes pela Escola Politécnica da USP. Professor do Departamento de Transportes da FATEC-SP. Presidente do Sindicato dos Tecnólogos do Estado de São Paulo.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

As vantagens de ser um profissional produtivo

Por Maiara Tortorette

Apresentar bons resultados e ser produtivo é fundamental para que o profissional construa uma carreira de sucesso, e principalmente para que seja valorizado no ambiente de trabalho. O colaborador que não consegue se planejar e estabelecer metas para organizar seu trabalho, dificilmente será reconhecido, uma vez que a empresa necessita deste retorno positivo para o seu desenvolvimento.

Ser produtivo não é apenas realizar tarefas pré-estabelecidas ou cumprir responsabilidades, mas pensar em novas ideias, dar sugestões e até mesmo sugerir melhorias. Proatividade e produtividade caminham lado a lado, uma vez que um profissional que pensa como sendo parte da organização, com certeza agirá da mesma maneira, de acordo com os objetivos e necessidades da empresa em que atua.

Para João Carlos Rego, consultor, palestrante e idealizador do "Dia do Cliente", comprometimento e preparação devem caminhar juntos para que o profissional seja produtivo. “Não adianta nada estar preparado se não estiver comprometido, e vice-versa. Então, esses dois pilares trabalham juntos”, define. “A pessoa só vai se tornar produtiva se realmente estiver em sintonia com os objetivos, missão, foco e com o tipo de trabalho que a empresa executa”.

Planejar as tarefas do dia e avaliar prioridades auxiliam o profissional, não só a se organizar, mas a conhecer o seu próprio ritmo de trabalho e seus limites, buscando assim a forma mais adequada de cumprir suas metas e atender às necessidades da organização com a qualidade esperada.

“Existe um grande financista que diz que o segredo do sucesso é identificar onde se quer chegar, ou seja, ter um objetivo, um norte”, menciona João. “Além disso, é preciso se preparar para ir a outros lugares e buscar o que realmente dá satisfação e prazer, o que consequentemente aumentará as chances de comprometimento do profissional”.

Em muitos casos, cabe a própria organização fazer um acompanhamento do desempenho das equipes ou de cada funcionário e pensar na melhor forma de motivá-los e auxiliá-los na questão de serem mais produtivo. Oferecer recursos que facilitem o trabalho também é uma excelente opção, pois em algumas empresas, a infra-estrutura e a qualidade das ferramentas de trabalho não correspondem à demanda exigida.

Otimizar o tempo sem diminuir a produção

Com tanta cobrança e pouco tempo é preciso que os profissionais consigam conciliar sua vida pessoal e profissional, mantendo a produtividade. Levar o trabalho para casa ou ficar até tarde no escritório com frequência não é a melhor solução, sendo assim é preciso que o executivo consiga administrar seu tempo para não misturar as situações.

De acordo com Jaime Vilaseca, fundador da Vilaseca Assessoria de Arte, o profissional não deve se prender as coisas que podem, e devem, ser realizadas fora do ambiente corporativo. “Perder tempo com salas de bate papo, revistas que não tenham relação com o trabalho e conversas desnecessárias, com certeza influenciam negativamente na produção. Caso tenha um tempo livre durante o expediente, o colaborador deve aproveitar para estudar, tirar dúvidas, ler matérias interessantes e utilizar a rede como ferramenta de pesquisa”, define.

“O profissional deve separar aquilo que é importante daquilo que é urgente”, enfatiza João. Para ele a diversidades dos meios de comunicação, como Twitter, Orkut, MSN, também devem ser avaliados para que se utilize apenas as ferramentas necessárias para o trabalho. “O grande diferencial está exatamente na forma de administrar as 24 horas do nosso dia, e principalmente separar algumas horas que devem ser obrigatoriamente dedicadas ao lazer”.

A empresa também deve contribuir para que consiga estabelecer um vínculo de transparência com seus colaboradores, por exemplo, definindo quais serão os padrões de avaliação e desempenho que guiarão o profissional aos melhores resultados. “O profissional deve saber que ele pode contar com a empresa, assim como a organização pode contar com ele. Além disso, é importante que a organização acompanhe o desempenho de cada funcionário e apóie aqueles que realmente são produtivos”, finaliza Jaime.

Fonte: Catho.com.br 

domingo, 31 de outubro de 2010

A primeira impressão não é a que fica: o valor das atitudes na busca por um espaço no mercado de trabalho

Por Simão Mairins

Desde a faculdade, uma das grandes preocupações de quem luta por um espaço no mercado de trabalho é construir um currículo atraente, que reúna atributos e experiências que sejam diferenciais na hora da disputa por uma vaga. No entanto, para as empresas e seus recrutadores, as informações no papel pouco importam, se não forem comprovadas por práticas realmente diferenciadas.

Uma boa lista de estágios no período da faculdade, experiências como trainee em grandes empresas, diversos cursos de aperfeiçoamento, domínio de duas línguas estrangeiras. Com um currículo desses, sem dúvidas, a entrada de qualquer profissional no mercado de trabalho vai, no mínimo, ter garantida uma ótima primeira impressão. Mas, no mundo corporativo, a primeira impressão não é a que fica. "É muito importante estar bem informado, atualizado, mas acima de tudo é importante desempenhar e fazer além do que é esperado do cargo", afirma Marisa da Silva, da Career Center, consultoria especializada em gestão de recursos humanos.

A formação, o aperfeiçoamento e as conquistas do tempo da faculdade são, é claro, importantes, como explica Marisa. "O mercado de trabalho valoriza, para quem está no início da carreira, todas as experiências, pois estas também permitem desenvolver competências, habilidades e maturidade em especial", afirma a consultora. No entanto, ela lembra: "muitas vezes, aspectos ligados à atitude (personalidade) são mais valorizados que os conhecimentos, pois as empresas vivem em transformações e as coisas nem sempre acontecem na velocidade que desejamos".

Marisa destaca que é importante, para o profissional, a formação continuada, para que ele se mantenha atualizado na profissão que exerce. Mas, segundo ela, o aperfeiçoamento não pode prejudicar o trabalho dentro da empresa, e vice-versa. "Existem profissionais que dão mais atenção ao estudo e menos às entregas/realizações na empresa. Ao ser comparado com outros profissionais que estão no mesmo estágio da carreira e com histórico maior de realizações (fazer além do esperado), poderá ser preterido. O contrário também é verdadeiro. Pessoas que só entregam e não se atualizam podem também ser preteridas por outras que têm um curso mais sofisticado. Tudo é questão de equilíbrio", afirma a consultora.

É provável que, em algum momento, você já tenha se perguntado: "vale mais a pena ter no currículo passagens em várias empresas diferentes ou ter uma experiência mais longa em um único lugar"? A resposta? Depende. "Se a passagem for curta e ele (o profissional) não deixar alguma marca, ou seja, algo diferente (por exemplo, melhoria de um processo, organização de alguma coisa, criação de uma planilha de controle que não existia, melhor atendimento a um cliente importante, etc.), pode não ser tão diferenciado para o mercado", afirma Marisa, que, no entanto, faz questão de ressaltar que pode ser bom para o profissional conhecer a realidade do mercado.

Para quem fica muito tempo em um mesmo emprego, a ausência de iniciativas diferenciadas também pode, igualmente, tornar a experiência pouco relevante para o currículo. Em suma, "é importante na experiência sempre procurar contribuir de forma diferente, respeitando o gestor imediato, entendendo qual é o papel e o que é esperado", afirma Marisa, que deixa a dica: "procure fazer a diferença contribuindo para a melhoria da sua área de atuação. Pequenos gestos podem repercutir de forma muito positiva".

Clique aqui  para ler a íntegra da entrevista que o Portal Administradores realizou com a consultora Marisa Silva, e veja mais dicas.


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Empresas estatais vetam profissionais formados em cursos tecnológicos

Por Luciana Alvarez - O Estado de S.Paulo

Profissionais formados em cursos superiores tecnológicos - como os da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec) - enfrentam dificuldades de acesso ao mercado de trabalho por não terem o título de bacharel. Apesar dos discursos favoráveis de governos e especialistas, empresas estatais, como Petrobrás, Caixa Econômica Federal, EMTU e Metrô de São Paulo, excluem os tecnólogos dos editais de concurso público.

A oferta de cursos superiores tecnológicos vem crescendo no País, em grande parte incentivada pelos governos federal e estaduais. Em apenas dois anos, de 2006 a 2008, o número de vagas desses cursos cresceu 45%, segundo os dados mais recentes do Censo da Educação Superior do Instituto de Pesquisas Educacionais (Inep). Os alunos da graduação tecnológica representam 10% do total de matriculados no ensino superior.

Um dos motivos da exclusão dos tecnólogos dos quadros de funcionários é a lentidão no processo de mudança de algumas companhias, acredita a professora de gestão de pessoas da Fundação Getúlio Vargas Anna Cherubina Scofano. "Temos alguns elefantes brancos que não se atualizam. Seria preciso mexer em práticas já institucionalizadas e fazer uma análise de mercado e dos cursos", afirma. "Mas grande parte do mercado aceita bem, porque dá enfoque para as competências."

Marcus Soares, professor de gestão de pessoas do instituto Insper, atribui o fenômeno em grande parte a um "mal entendido". "Há uma confusão com a nomenclatura da profissão, que cria uma interpretação incorreta de que é um curso técnico, de menos valia", afirma. "Quando uma empresa contrata, quer sempre alguém com formação melhor do que exige a posição. Isso também pode contribuir para a discriminação."

Segundo o professor, a discriminação tende a diminuir a médio e longo prazo por causa do chamado "apagão de mão-de-obra". "O mercado pode ser forçado a mudar. Se aumentar a demanda por mão de obra e as companhias quiserem preencher seus cargos, elas vão ter de aceitar os tecnólogos."

Para o presidente do Sindicato dos Tecnólogos, Décio Moreira, a reserva de mercado de outras categorias também causa dificuldades aos formados. "A empregabilidade dos cursos é alta, mas a questão é o tipo de responsabilidade que nos deixam assumir. Um tecnólogo está completamente apto em sua área de formação, mas nem sempre isso é reconhecido", diz.

O tecnólogo em instalações hidráulicas José Eduardo Radaelli enfrentou problemas com o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo (Crea-SP). "Precisei entrar na Justiça. Em 2005, consegui uma liminar que me autorizava a assinar projetos na minha área", contou. Mesmo com as dificuldades, Radaelli não se arrepende da opção por um curso tecnológico. "Apesar da discriminação, recomendo plenamente o curso."

O coordenador de Ensino Superior do Centro Paula Souza (que mantém as Fatec), Angelo Luiz Cortelazzo, diz que a dificuldade com os órgãos de classe é natural. "Toda nova profissão tem dificuldade em se estabelecer. Isso vai melhorar com a ocupação dos espaços corporativos pelos tecnólogos."

Cortelazzo acredita que uma postura mais correta das instituições de ensino também ajudaria a classe. "Às vezes são as próprias faculdades que fazem propaganda dos cursos de tecnologia como "rapidinho", dizem que você pode em seguida fazer uma graduação "plena"", critica.

Fonte: Estadao.com.br

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

10 razões para o líder estreitar o relacionamento com a equipe

Autora: Patrícia Bispo

Seja na vida pessoal ou profissional, o dia a dia comprova que para qualquer relacionamento ter êxito é necessário que exista uma boa comunicação entre as partes. Ou seja, se não há uma conexão que permita uma interação, bem como a presença de um espaço para troca de experiências, de idéias e de novas propostas as chances que ocorram conflitos aparecerão cedo ou tarde. Essa constatação também vale para a relação entre líder e liderados, afinal, o gestor só pode dar um norte à sua equipe se ele também faz parte dela.

Abaixo, listo algumas razões para que as lideranças mantenham-se cada vez mais próximas dos membros de suas equipes e, consequentemente, alcance uma melhor performance.

1 – Antes de oferecer uma atividade para um dos seus liderados, o gestor precisa conhecer não apenas os pontos fortes, mas também os fracos que ele apresenta. As limitações de uma pessoa podem interferir no êxito de um trabalho e depois não adianta querer “jogar pedras ao vento”.

2 – Por mais que um profissional seja considerado um talento, com grande potencial para agregar valor ao negócio, ele precisa desenvolver ou aprimorar competências, sejam técnicas ou comportamentais. Ao instituir um treinamento para sua equipe ou um colaborador específico, o líder deve saber onde, quando e como investir em determinada pessoa, pois pode cometer o erro de escolher um curso para um profissional que não se enquadra naquele contexto. E quando isso ocorre, há perda de tempo e de investimentos.

3 – O processo de feedback é indispensável para que o profissional saiba o que a empresa espera dele e como ele pode atender às expectativas da companhia. O líder que não consegue dar um feedback construtivo aos membros de sua equipe, fica cada vez mais próximo de não alcançar ou superar as metas necessárias.

4 – Da mesma forma que o feedback individual agrega valor a uma gestão, o diálogo aberto para com todos da equipe também faz um grande diferencial. Promover a comunicação face a face com a equipe evita que informações distorcidas ou boatos comprometam o clima organizacional. Não é por acaso que várias empresas estimulam a realização de reuniões periódicas entre gestores e equipes.

5 – Muitos conflitos entre os membros de uma equipe poderiam ser evitados e não ganhar proporções maiores, se a liderança ficasse mais atenta aos primeiros sinais de desentendimento. Às vezes, ao identificar o início de um desgaste entre seus liderados, o gestor consegue encontrar uma solução rápida até mesmo através de um simples diálogo.

6 – Quando um gestor realmente faz parte da equipe, ele divide não apenas os momentos difíceis ou de fracassos mas também compartilha as vitórias com os que estão ao seu redor. Isso faz com que ele mostre, de fato, sua proximidade com quem convive diariamente com ele.

7 – Vale um lembrete: uma reunião entre gestor e equipe só se torna realmente produtivas se as duas partes podem expressar opiniões ou tirar dúvidas sobre assuntos relacionados ao ambiente organizacional. Não existe comunicação quando há apenas uma “via” que oferece uma única direção.

8 – O estreito relacionamento entre gestor e equipe permite que, mesmo de maneira informal, a liderança tenha uma avaliação da sua própria performance. Ao ficar próximo das demais pessoas que o cercam o líder saberá se é respeitado ou temido. Com isso, terá condições de rever comportamentos que adota no dia a dia, para aprimorar ou desenvolver novas competências.

9 – O líder que conversa e escuta os membros da sua equipe estimula que os talentos sob seu “comando” apresentem idéias e propostas que permitam dar uma verdadeira guinada na performance do seu departamento.

10 – Quem valoriza os relacionamentos, inclusive no campo profissional, sabe que através do convívio com outras pessoas sempre é possível adquirir novos aprendizados, seja de maneira formal ou não. Isso também vale para a liderança, afinal o ser humano sempre está em constante processo de transformação, mesmo que não tenha consciência disso.

Fonte: Blog.kombo.com.br

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Como motivar seus funcionários usando os princípios da pirâmide de Maslow

Por RH Central

A Psicologia define motivação como “a força propulsora (desejo) por trás de todas as ações de um organismo”. Já para o Dicionário de Marketing é um “conjunto de fatores psicológicos (conscientes ou inconscientes) de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, os quais agem entre si e determinam...”

Há quem diga que motivação é um sentimento de uma necessidade, outros definem como transformar um motivo em ação, atitude.

Existem diferentes teorias para a motivação, e uma das mais consagradas é a de Abraham Maslow, (1908-1970) psicólogo norte-americano, considerando o pai do humanismo na psicologia. Sua teoria diz que nós seres humanos, possuímos diversas necessidades, e estas podem ser separadas em categorias hierarquizadas.

Segundo Maslow, para motivar uma pessoa, deve-se identificar qual é a categoria mais baixa na qual ela tem uma necessidade, e supri-la antes de pensar noutras categorias mais altas. Estas categorias são normalmente apresentadas na forma de uma pirâmide, por isso, veja essas necessidades sendo a primeira a mais baixa e a última a mais alta. Isso vai ajudá-lo a melhor motivar seus funcionários na sua empresa.

1. Necessidades Fisiológicas: Principal prioridade humana, pois entre elas estão beber, comer e respirar. Sem estas necessidades as pessoas ficam doentes e debilitadas.

2. Necessidades de Segurança: Qual pessoa sente-se confortável com a insegurança? Todos querem segurança financeira, física, emocional, familiar, etc.

3. Necessidades Sociais: Com as categorias anteriores (Fisiológicas e de Segurança) estejam supridas, surgem as necessidades socais, como inclusão social, ter e fazer amigos, amar e ser amado, encontrar na família uma base afetiva,etc.

4. Necessidades de Status e Estima: Ser reconhecido como uma pessoa inteligente, competente, capacitada faz parte das necessidades de Status e Estima. É possível ainda destacar o desejo pela fama, poder e prestígio. Por causa disso muitos se transformam em prepotentes, gananciosos e arrogantes.

5. Necessidade de Auto Realização: Pode haver algo mais agradável do que a sensação do dever cumprido, quero dizer... Ter consciência de que você explorou todas as suas habilidades em prol de um objeto específico. Todos gostam de encarar os problemas e resolve-los, de enfrentar desafios e vencer, de dar o melhor de si e conquistar coisas e bens com o fruto de sua capacidade e esforço. Esta capacidade nos é natural e significa atingir o máximo.

domingo, 3 de outubro de 2010

Ambiente corporativo desagradável pode custar caro aos cofres das empresas

Por Assessoria do Administradores.com.br

Comunicação ineficaz entre equipes e informações distorcidas prejudicam projetos e desempenho de colaboradores.

É senso comum que um ambiente corporativo saudável sempre foi caracterizado como um dos alicerces para o sucesso de uma empresa. Bons relacionamentos, ambiente agradável e comunicação clara e transparente entre equipes favorecem o entendimento do trabalho a ser feito e o papel de cada um, elevando a confiança entre os profissionais envolvidos e gerando o tão sonhado comprometimento que os gestores e empresas almejam para a busca incessante de resultados.

Tais valores (entendimento, confiança e comprometimento) podem representar o diferencial necessário na hora de ganhar ou reter clientes, seja qual for o segmento que a organização atue. Entretanto, buscar estes valores e qualidades não é atributo dos mais fáceis quando retirados do papel e implantados no dia a dia dos colaboradores.

Recente pesquisa realizada pela sexta edição do Estudo de Benchmarking em Gestão de Projetos, desenvolvida pelo Project Management Institute Brasil (PMI), revela que em 76% das empresas participantes do estudo o problema com a comunicação é o principal motivo pelo fracasso dos projetos. Além disso, em 46% destes projetos o investimento variou entre R$ 1 e R$ 10 milhões. Ou seja, a falta de comunicação entre equipes pode se tornar – e muito – custosa aos cofres das empresas.

Para Tatsumi Roberto Ebina, sócio-diretor e fundador da Muttare, consultoria de gestão, "a soma das diferenças deve contribuir para o êxito de uma equipe de trabalho. É preciso confiar no profissional que atua ao lado. Sendo assim, o mesmo também confiará em você. Isso irá gerar um retorno significante na soma dos fatores". Portanto, o problema principal não é caracterizado pela comunicação e sim pela falta de confiança nas relações. Para muitos empresários e executivos, a pergunta que fica é: Por que falta confiança?

Ebina destaca que "em muitas empresas, o que inibe o profissional é o medo de errar. Esta sensação prejudica as organizações. Quem consegue fornecer respostas corretas e de forma rápida, ainda mais no cenário acirrado [em] que vivemos, diferenciando-se de seus concorrentes? E mais, pensem por que será que as pessoas têm medo de errar? Ainda bem que bons exemplos existem. Grandes empresas, referências em seus segmentos, como Google e Dell, fornecem aos seus colaboradores poder de decisões e autonomia de trabalho, motivando-os ainda mais na busca de resultados expressivos às empresas".

O consultor salienta que nestas empresas o modelo de gestão adotado permite ao funcionário tal liberdade. Mas, por outro lado, exige da mesma forma do profissional o desempenho esperado. "A gestão descentralizada, acima de tudo, valoriza a principal ferramenta de trabalho dentro das organizações: o colaborador. Sendo assim, assegura que as dificuldades de todos sejam supridas, e torne-os mais comprometidos com o trabalho.

Com profissionais mais motivados e melhor preparados, as empresas terão em seus projetos, sejam quais forem, menores problemas de comunicação nas equipes e melhores resultados. Isso tornará em verdadeiros investimentos, e não gastos desnecessários, o valor despejado para a realização dos projetos".

 

domingo, 26 de setembro de 2010

Por que o relacionamento é tão importante?

Por Luiz Marins

Pouca gente parece compreender por que o relacionamento é tão importante para o sucesso de pessoas e empresas no mundo de hoje. E sem essa compreensão, não cultivam um bom relacionamento e talvez esteja aí uma das razões de seu insucesso.

A importância e o valor do relacionamento advêm do fato de que estamos vivendo num mundo com muitos concorrentes, com qualidade semelhante e preços similares. Pessoas e empresas concorrem com iguais em quase tudo.

Onde estará a diferença?

O que fará com que um cliente compre de minha empresa?

O que fará com que eu seja escolhido dentre tantas pessoas iguais a mim?

É óbvio que a qualidade, conteúdo, conhecimento, caráter, etc. são fundamentais. Mas isso é obrigação de todos e nem se discute mais. É preciso que fique muito claro que o bom relacionamento não substitui a competência, nem a qualidade. Mas quando tem que se fazer uma escolha entre iguais o bom relacionamento mostrará o seu valor. Aí é que o bom relacionamento tem enorme importância.

Um bom relacionamento com fornecedores e clientes pode garantir contratos duradouros. Um bom relacionamento com pessoas pode garantir um emprego melhor ou mesmo uma promoção, pois essa será uma grande diferença de valor quando se tem que escolher entre iguais.

Assim, para vencer nos dias de hoje, repito, além da competência, honestidade, qualidade, conhecimento e conteúdo é preciso cuidar dos relacionamentos. Pense nisso. Sucesso!

Professor Luiz Marins é doutor (Ph.D.) em Antropologia (Austrália); Pós-Doutorado em Macro-Economia (London School of Economics - Sydney/Londres); Licenciado em História, Bacharel em Direito e Técnico em Contabilidade; Estudou Ciência Política e Relações Internacionais (Universidade de Brasília) e Negociação (New York University); Consultor de várias Empresas Nacionais e Internacionais.

Fonte: Portal do Administrador

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Conselho Federal de Administração (CFA) registra tecnólogos do Rio Grande do Sul

Por Ana Gonçalves, Jornalista

Na última Reunião Plenária do Conselho Federal de Administração (CFA), realizada nos últimos dias 18 e 19 de agosto [2010] o plenário decidiu registrar os tecnólogos do Rio Grande do Sul.

A decisão foi tomada para não prejudicar os profissionais daquele estado, uma vez que o Conselho Regional de Administração do Rio Grande do Sul (CRA-RS) impetrou ação judicial contra CFA, perante a Justiça Federal de Brasília, objetivando a declaração de nulidade da Resolução Normativa CFA nº 374/2009, que permitiu o registro de tecnólogo em CRA. (grifo nosso)

A partir de hoje, o CFA vai receber o requerimento e promover o registro dos tecnólogos do Rio Grande do Sul. Para os interessados em solicitar o registro, basta entrar em contato com o CFA, por meio do e-mail fiscalizacao@cfa.org.br ou do telefone (61) 3218-1823. (grifo nosso)

Desde o ano passado o CFA aprovou o registro para estes profissionais. Uma das vantagens de ser um profissional registrado é ser reconhecido no mercado de trabalho como uma pessoa qualificada e apta a exercer a profissão. Além disso, contará com o respaldo do Sistema CFA/CRAs para proteger os seus diretos profissionais e pelo reconhecimento da profissão.

O diplomado em curso superior de tecnologia em determinada área da Administração já pode solicitar o seu registro no Conselho Regional de Administração do seu estado. Além dos documentos pessoais como identidade e CPF, o interessado precisa apresentar o requerimento de registro preenchido e o diploma de conclusão. Porém, é importante ressaltar que o curso esteja reconhecido pelo MEC. (grifo nosso)

Fonte: Conselho Federal de Administração - CFA

sábado, 18 de setembro de 2010

Como atuam os cursos tecnólogos

Para atender uma demanda de mercado, principalmente do setor industrial, que precisa cada vez mais de mão de obra especializada, o número de curso superior de tecnologia - os famosos tecnólogos - estão crescendo consideravelmente. Diferente do que muitos podem pensar, o tecnólogo não é um bacharelado de curta duração, mas sim um curso que trata de um segmento mais específico que a outra opção, por isso tendo a oportunidade de ser mais curto, com duração média de dois a três anos.

Um exemplo deste crescimento é a Faculdade de Tecnologia - Fatec de Pindamonhangaba. Criada em 2006, com o curso de metalurgia, este ano iniciou também o tecnólogo em soldagem, além do criado em 2009 de manutenção industrial. As Fatecs são instituições públicas de ensino superior que oferecem cursos gratuitos em tecnologia. Assim como qualquer curso tecnólogo deve ser para que o diploma seja aceito pelas entidades, as Fatecs são devidamente reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC).

Esta modalidade da educação tem a mesma validade que os cursos de bacharel, possibilitando aos formados dar continuidade aos estudos em pós-graduação (mestrado e doutorado) ou especialização. A única restrição que pode diferenciar das graduações mais comuns são alguns editais e empresas que exigem uma formação específica.

Segundo a Fatec Pindamonhangaba "o ensino superior [da Fatec] é compromissado com o sistema produtivo. Com currículos flexíveis, compostos por disciplinas básicas e humanísticas, de apoio tecnológico e de formação específica na área de atuação do tecnólogo." Os cursos possuem duração de três anos. A faculdade conta com um corpo docente formado por mais da metade dos professores mestres ou doutores.

Uma outra característica marcante dos cursos de tecnólogo é ter sua criação guiada, na maioria das vezes, por força do mercado. "A atuação do Tecnólogo pode se estender desde a criação, o domínio e a absorção até a difusão dos conhecimentos, atingindo plenamente as necessidades estabelecidas. Trata-se de um profissional capaz de oferecer soluções criativas e participar de equipes habilitadas para o planejamento e para o desenvolvimento de soluções", afirma a Fatec.

Para apresentar a Fatec e os cursos superiores de tecnologia, a instituição de Pindamonhangaba organiza, anualmente, um simpósio aberto para a comunidade em geral, jovens de estabelecimentos de ensino, professores, empresários e indústrias da região. Desta forma propicia a criação de vínculos entre futuros profissionais e investidores e mostra as tendências de mercado nas áreas em que atua. O evento será nos dias 20, 21 e 22 de outubro.

Fonte: CIMM

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Liderança e Poder

Por Tom Coelho

“O poder, em si, não constitui uma garantia moral:
o poderoso pode ter a espada na mão, mas nem por isso é dono do bem.”
(Contardo Calligaris)

A liderança é uma competência de caráter relacional, isto é, pressupõe uma relação entre duas ou mais pessoas fundamentada no exercício da influência. A regra é despertar o desejo, o interesse e o entusiasmo no outro a fim de que adote comportamentos ou cumpra tarefas. Além de relacional, a liderança também pode ser situacional, ou seja, determinada pelas circunstâncias.

O poder é o exercício da liderança. Em verdade, inexiste isoladamente, pois o que encontramos são relações de poder. Assim, é notório que se questione: como o poder é exercido por um líder?

Muitos são os estudos acerca dos tipos, bases e fontes de poder. Mencionamos, por exemplo, LIKERT e LIKERT (1979), KRAUSZ (1991), SALAZAR (1998) e ROBBINS (2002), mas ressaltando que todos beberam de alguma forma nos escritos de FRENCH e RAVEN (1959).

Fazendo uma compilação destes estudos, identificamos as seguintes formas de poder:

1. Poder por coerção. Baseia-se na exploração do medo. O líder demonstra que poderá punir o subordinado que não cooperar com suas decisões ou que adotar uma postura de confronto ou indolência. As sanções podem ser desde a delegação de tarefas indesejáveis, passando pela supressão de privilégios, até a obstrução do desenvolvimento do profissional dentro da organização. Pode ser exercido por meio de ameaças verbais ou não verbais, mas devido ao risco de as atitudes do líder serem qualificadas como assédio moral, o mais comum é retaliar o empregado, afastando-o de reuniões e eventos importantes, avaliando seu desempenho desfavoravelmente ou simplesmente demitindo-o.

2. Poder por recompensa. Baseia-se na exploração de interesses. A natureza humana é individualista e, quase sempre, ambiciosa. Ao propor incentivos, prêmios e favores, o líder eleva o comprometimento da equipe, fazendo-a trabalhar mesmo sem supervisão. A recompensa pode ser pecuniária, ou seja, em dinheiro, ou mediante reconhecimento e felicitações públicas. O risco de se usar este expediente como principal artifício para exercício do poder é vincular a motivação das pessoas e sua eficiência a algum tipo de retorno palpável e de curto prazo, inclusive enfraquecendo a autoridade do líder.

3. Poder por competência. Baseia-se no respeito. O líder demonstra possuir conhecimentos e habilidades adequados ao cargo que ocupa, além de atitudes dignas e assertivas. Os subordinados reconhecem esta competência e a respeitam veladamente. Um exemplo fora do mundo corporativo é a aceitação de uma prescrição médica, porque respeitamos o título do médico e seguimos seu receituário mesmo sem conhecer o profissional previamente ou o princípio ativo do medicamento.

4. Poder por legitimidade. Baseia-se na hierarquia. A posição organizacional confere ao líder maior poder quanto mais elevada sua colocação no organograma. É uma autoridade legal e tradicionalmente aceita, porém não necessariamente respeitada. Um exemplo típico é o poder que emana do “filho do dono” que pode ser questionado, embora raramente contestado, se sua inexperiência for evidenciada.

5. Poder por informação. Baseia-se no conhecimento. O líder, por deter a posse ou o acesso a dados e informações privilegiadas, exerce poder sobre pessoas que necessitam destas informações para realizar seus trabalhos. Note-se que o mero acesso a informações valiosas é suficiente para conferir poder a estas pessoas. É o caso das secretárias de altos executivos.

6. Poder por persuasão. Baseia-se na capacidade de sedução. O líder usa de argumentos racionais e/ou emocionais para envolver e convencer seus interlocutores da necessidade ou conveniência de realizarem certas tarefas, aceitarem decisões ou acreditarem em determinados projetos. Trabalha com base em aspectos comportamentais buscando ora inspirar, ora dissuadir os subordinados, de acordo com os objetivos pretendidos.

7. Poder por ligação. Baseia-se em relações. O líder apropria-se de sua rede de relacionamentos para alcançar favores ou evitar desfavores de pessoas influentes. Em tempos de desenvolvimento das chamadas redes sociais, ampliar e usar relações interpessoais constitui vantagem comparativa significativa.

8. Poder por carisma. Baseia-se na exploração da admiração. O líder adota um estilo envolvente, enérgico e positivo e alcança a obediência porque seus liderados simplesmente gostariam de ser como ele. As pessoas imitam-no, copiam-no, admiram-no com a finalidade de identificação.

Dentre todas as categorias apresentadas, não devemos idealizar uma forma de poder específica. Não há certo ou errado. Há o adequado. Em verdade, o mais indicado é que um líder saiba como, onde e quando exercer seu poder de acordo com o perfil dos subordinados, das circunstâncias e de seus objetivos. Assim, o poder carismático ou por recompensa podem proporcionar maior adesão e atração por suas ideias, da mesma maneira que o poder legítimo ou por coerção podem acarretar resistência por parte dos subordinados.


Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e co-autor de outros quatro livros.

Fonte: Tom Coelho