domingo, 21 de novembro de 2010

Parecer da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal sobre o Projeto de Lei nº 2.245/2007 (Regulamenta a profissão de Tecnólogo)

COMISSÃO DE EDUCAÇÃO E CULTURA

PROJETO DE LEI Nº 2.245, DE 2007 - REGULAMENTA A PROFISSÃO DE TECNÓLOGO E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.

Autor: Deputado REGINALDO LOPES

Relatora: Deputada MARIA DO ROSÁRIO

I - RELATÓRIO

O Projeto de Lei n.º 2.245, de 2007, tem por objetivo regulamentar a profissão de Tecnólogo, nas modalidades relacionadas no Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia do Ministério da Educação - MEC.

A proposição determina as atribuições dos Tecnólogos, a possibilidade do profissional se responsabilizar, tecnicamente, por pessoa jurídica, a reserva da denominação de Tecnólogo aos profissionais legalmente habilitados na forma da legislação vigente, as atribuições dos Conselhos Federais e Regionais de fiscalização do exercício profissional da respectiva área e a atribuição do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE - para o registro profissional dos Tecnólogos.

O projeto foi distribuído à Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público – CTASP, sendo designado como relator o nobre Deputado Vicentinho.

A CTASP aprovou a proposição na forma do substitutivo apresentado pelo eminente relator que suprimiu a menção ao Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia, elaborado pelo MEC, bem como as atividades que podem ser exercidas pelos tecnólogos. Além de eliminar o caráter privativo do exercício da profissão, dar nova redação ao artigo que trata da fiscalização do exercício da profissão e afasta a atribuição do MTE para o registro profissional dos Tecnólogos.

Após, o Projeto de Lei foi distribuído à Comissão de Educação, sendo designada relatora.

Transcorrido o prazo regimental, não foram apresentadas emendas.

É o relatório.

II - VOTO DA RELATORA

A intenção da proposição em apreço é meritória, na medida em que tem claro interesse social para conferir o reconhecimento e a valorização aos trabalhadores tecnólogos.

Preliminarmente, faço menção às diferentes perspectivas do bacharelado e da graduação tecnológica. As graduações tecnológicas desenvolvem competências profissionais específicas, a partir de organização curricular de caráter mais prático e de maior mobilidade, aspecto em que se diferencia da formação dos bacharelados.

O diferencial de um curso superior de tecnologia é o aprofundamento do conhecimento em determinado assunto. Para ilustrar, tomo o exemplo do tecnólogo em Marketing, por exemplo, comparativamente ao bacharel em Administração. Enquanto o curso frequentado por este último propiciou o enveredamento por ampla área do saber, com largo espectro de atuação, o egresso do curso superior de tecnologia, por seu turno, sem prejuízo dos domínios sobre cultura e ética, terá experimentado um enfoque em marketing, setor este também passível de exercício pelo egresso do outro tipo de curso. O cursista do programa generalista, a fim de garantir competências específicas de marketing, haverá de ir mais a fundo na linha de formação correspondente, ao passo que tecnólogo, no decurso de seus estudos, terá, naturalmente, se concentrado nesse campo.

Em termos de especialização, considera-se que a aptidão para a atividade naquele setor específico de marketing será percebida mais nitidamente no tecnólogo.

Apesar de promissoras as carreiras técnicas e tecnológicas, infelizmente, regra-geral, acabam por serem relacionadas ao rótulo de ocupações "inferiores". Vale lembrar que as graduações tecnológicas existem no Brasil desde a década de 60 do século passado, mas, a despeito das sólidas bases legais nas quais se assenta essa modalidade, até hoje se busca romper com preconceitos em relação à formação e à atuação profissional dos egressos.

Nesse sentido, salienta-se que um curso tecnológico não é um retalho de determinado curso de bacharelado. Enquanto o curso frequentado pelo bacharel procura abranger ampla área de conhecimento, o curso superior de tecnologia se concentra em determinado campo, podendo ser este no mesmo setor passível de exercício pelo egresso do curso de bacharelado – em termos de “extensão” e “profundidade”, considera-se que o cursista do programa generalista, a fim de garantir competências específicas, haveria de se especializar numa linha de formação possivelmente disponível no seu programa de caráter geral, sendo o fator “foco”, por outro lado, um traço natural nos cursos tecnológicos.

Outrossim, ordinariamente há o falacioso argumento de que o ensino tecnológico seria de baixa qualidade. Como em toda modalidade de graduação, um programa de ensino adequado, em conformidade com a realidade atual, é reflexo duma boa proposta pedagógica, no contexto duma instituição saudável, do ponto de vista legal e financeiro, com instalações de biblioteca, laboratórios específicos, salas de aula, corpo docente, dentre outros fatores, condizentes com as necessidades didáticas.

Considera-se ainda que, desde o ano de 2007, graduações tecnológicas constam no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE, avaliação aplicada, também a alunos de cursos de bacharelado e de licenciatura, para medir o desempenho esperado perante padrões previstos nas diretrizes curriculares correspondentes, integrando o SINAES, juntamente com a avaliação institucional e a avaliação dos cursos de graduação propriamente.

Todo interessado em frequentar um bom curso, independente da natureza deste, tecnológica ou não tecnológica, deve atentar para tais indicadores.

A perspectiva sobre os cursos tecnológicos no País ainda precisa ser melhorada, principalmente se compararmos a situação correlata em nações desenvolvidas, entretanto, apesar dos reveses, indicativos de uma “nova postura” da sociedade brasileira sobre o assunto já são percebidos.

Mudanças na legislação educacional e aumento de investimentos públicos de qualificação e expansão, sobretudo no contexto de crescente demanda por trabalhadores frente a uma economia pujante, vem resultando um crescimento destacado nas matrículas em cursos superiores de tecnologia nos últimos anos, representando atualmente 16% da oferta de graduação no País. Conforme o Censo da Educação Superior 2008, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), naquele ano o Brasil registrou 421.000 ingressos nesse segmento de ensino, correspondendo a um aumento de 18,7% sobre o ano de 2007, com salto gigantesco em relação ao ano de 2002, quando o total de matrículas era de 81.300.

Em sintonia com o impulso, editou-se no ano de 2006 o Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia, um “guia” para estudantes, educadores, instituições ofertantes, entidades representativas de classes, empregadores e o público em geral, tendo a publicação propiciado uma inédita organização da oferta de cursos superiores de tecnologia no País.

A efetivação do Projeto de Lei 2.245/2007, portanto, implicará em alterações profundas nas atribuições dos profissionais tecnólogos, com repercussão significativa na sociedade como um todo.

Diante dessas ponderações, apontamos apenas pequenas ressalvas ao Substitutivo aprovado na Comissão que nos antecedeu.

A despeito do Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia os nobres colegas da CTASP argumentam que “uma lei que vise regulamentar uma profissão não pode estar atrelada a uma classificação de um guia que tem como objetivo orientar a oferta de cursos”. Segundo ponderação, tal amarração “está em desacordo com o caráter genérico e flexível que se deva dar a um diploma legal que exemplifique as habilidades e as competências do profissional”.

Pedimos licença para discordar de tal argumento. O ordenamento jurídico previsto para regulamentar as profissões dos tecnólogos explicitará as atividades desses profissionais em termos genéricos, subentendendo-se que a execução dos fazeres introduzidos no texto legal dar-se-á mediante competências, “no âmbito de cada modalidade específica”, adquiridas, conforme revelarão os currículos escolares efetivamente cursados, nos programas relacionados no Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia do Ministério da Educação.

A publicação, importante ferramenta de regulação do funcionamento de cursos pelo poder público e de construção de currículos pelas instituições de ensino superior, há de figurar no dispositivo legal vislumbrado com o fito de paralelizar didaticamente 1) o contexto das normas de oferta com 2) o meio da regulamentação das profissões. Nesse caso, a menção ao Catálogo no texto da lei não objetivaria estender à sistemática dos órgãos de classe a obrigação imperiosa de que se reveste o instrumento no escopo da ação do Ministério da Educação.

No que concerne as atividades que podem ser desempenhadas pelo tecnólogo é importante a sua manutenção no projeto. Isso porque, a descrição de um rol exemplificativo de atividades não permite que o profissional tecnólogo tenha suas atividades remetidas a tarefas menores e ocupações “inferiores”, ínfero a sua formação profissional.

Irrepreensível o substitutivo aprovado na CTASP no tocante a retirada da exclusividade no exercício das ocupações desempenhadas pelos tecnólogos. A limitação de exercício profissional pode ter como objetivo a criação duma escassez artificial de profissionais em determinados setores, o perverso fenômeno da “reserva de mercado de trabalho”, problema bastante conhecido por tecnólogos – muitos são privados do direito de trabalhar de forma plena em segmentos reservados a graduados em cursos não tecnológicos.

Não caberia, nesse sentido, a exclusividade a tecnólogos no exercício das ocupações por eles desempenhadas, zelando-se, naturalmente, pelo regulamento profissional correspondente.

Além disso, propõe-se nova redação no tocante as entidades e órgãos responsáveis pela fiscalização do exercício profissional com o fito de dar maior precisão ao texto.

Por fim, observa-se que no sentido estrito ora exigido, o termo “tecnólogo”, ao designar estudante egresso de curso superior de tecnologia, garantindo-lhe um grau dentre as etapas da educação profissional e tecnológica, imprime significado genérico aos diversos profissionais formados em cursos dessa natureza. Não caberia, pois, tomar “tecnólogo” por uma profissão, assim como não se fala em “profissão de bacharel” ou “profissão de licenciado”.

Assim, de forma a não se suprimir a variedade de especialidades e a multiplicidade de domínios operacionais, possíveis em função da diversidade de cursos superiores de tecnologia existentes, é apropriado que, alternativamente à expressão de ementa “regulamenta a profissão de tecnólogo”, o apontamento seja “regulamenta o exercício das profissões dos tecnólogos”.

Destarte, considerada a relevância da proposição para o reconhecimento e valorização dos trabalhadores tecnólogos, importante observar-se a contribuição da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica - SETEC, que mediante discussões com os diversos segmentos afetados, apresentou diversas sugestões que contribuíram na elaboração desse parecer e substitutivo que segue.

Diante do exposto, voto pela aprovação do projeto de lei nº 2.245, de 2007, nos termos do substitutivo anexo.

Sala da Comissão, em 19 de novembro de 2010.

Deputada MARIA DO ROSÁRIO
Relatora


SUBSTITUTIVO AO PROJETO DE LEI Nº 2.245/2007

Regulamenta o exercício das profissões dos tecnólogos.

O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º - É livre o exercício das profissões dos tecnólogos aos portadores de diplomas de graduação tecnológica:

I – expedido por instituição brasileira de ensino superior oficialmente reconhecida; ou

II – expedido por instituição estrangeira de ensino superior, revalidado na forma da lei, cujos cursos foram considerados equivalentes aos mencionados no inciso anterior.

Art. 2º - São atividades dos tecnólogos, no âmbito de cada modalidade específica, de acordo com análise do perfil profissional do diplomado, de seu currículo integralizado e do projeto pedagógico do curso regular, em consonância com as diretrizes curriculares nacionais:

I – analisar dados técnicos, desenvolver estudos, orientar e analisar projetos executivos;

II – elaborar e desenvolver projetos;

III – elaborar especificações, estudos de viabilidade, instruções, divulgação técnica, orçamentos e planejamentos;

IV – dirigir, conduzir, orientar, coordenar, supervisionar e fiscalizar serviços técnicos nas suas áreas de competência;

V – desenvolver processos, produtos e serviços para atender a necessidades de projetos e de demandas de mercado;

VI – realizar vistorias, avaliações, pareceres e laudos técnicos;

VII – executar e responsabilizar-se tecnicamente por serviços e empresas;

VIII – desempenhar cargos e funções técnicas no serviço público e nas instituições privadas;

IX – prestar consultoria, assessoria, assistência, auditoria e perícia;

X – exercer o ensino, a pesquisa, a análise, a experimentação e o ensaio; e

XI – conduzir equipes na execução de serviços técnicos.

§ 1º - Poderão ser exercidas outras atividades, inclusive as relativas a habilidades eventualmente adquiridas em cursos de pós-graduação, de especialização ou de aperfeiçoamento, além das previstas nos incisos do caput deste artigo, mediante análise, pelo correspondente órgão de fiscalização do exercício profissional, do conteúdo curricular do curso superior de tecnologia considerado.

§ 2º – Cada modalidade específica, dentre as relacionados no Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia do Ministério da Educação, revelará, de acordo com o currículo escolar efetivamente cursado, as competências profissionais do tecnólogo considerado, valendo a mesma para a definição do respectivo título profissional.

§ 3º - As instituições de ensino superior que mantenham cursos superiores de tecnologia sobre os quais se estabeleça a fiscalização do exercício profissional informarão aos órgãos regulamentadores competentes as características dos egressos por ela diplomados.

Art. 3º - O tecnólogo poderá responsabilizar-se tecnicamente por pessoa jurídica, desde que o objetivo social desta seja compatível com as atribuições do profissional.

Art. 4º - A designação “tecnólogo”, em sentido estrito, o indivíduo egresso dum curso superior de tecnologia, fica reservada ao profissional legalmente habilitado na forma desta lei, observada no respectivo registro a modalidade específica de pertença do tecnólogo.

Art. 5º - A fiscalização do exercício profissional do tecnólogo será exercida, de acordo com cada modalidade, pelos órgãos de regulamentação e fiscalização existentes.

Art. 6º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Sala da Comissão, em 19 de novembro de 2010.

Deputada Maria do Rosário
Relatora

FonteCamara.gov.br/PL2245-2007

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Situação de trabalho dos Tecnólogos

Por Décio Moreira

Documentos oficiais e pesquisas mostram que os tecnólogos estão empregados com índices de empregabilidade acima de 90%; que são importantes para o setor produtivo; que a expansão na oferta de cursos de tecnologia é meteórica e que os governos investem milhões com os cursos de tecnologia. Paradoxalmente os tecnólogos encontram dificuldades de reconhecimento e de pleno exercício profissional e de inserção.

Estão sujeitos a discriminação, principalmente dos órgãos e empresas públicas, sejam elas, federais, estaduais ou municipais, que não os incluí nos planos de cargos. A Petrobrás é o exemplo de atitude acintosa, pois em seus editais de concursos escreve que não aceita tecnólogos. Superados alguns conceitos discriminatórios apresentados nos documentos oficiais anteriores a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional - LDB de 1996, esta lei trouxe nova conceituação, características e finalidades para os cursos de tecnologia, assim tiveram uma grande evolução quantitativa e qualitativa. Para se ter uma idéia, segundo dados do MEC/INEP (2009), da evolução quantitativa em 1996 eram 100 cursos de tecnologia em São Paulo, em 2008 eram 1.601 com 175.237 matrículas e 38.855 egressos.

Fato relevante a ser considerado é a recente inclusão, janeiro de 2010, de 81 títulos de tecnólogos na Classificação Brasileira de Ocupações – CBO que é o documento normalizador do reconhecimento, da nomeação e da codificação dos títulos e conteúdos das ocupações do mercado de trabalho brasileiro. É ao mesmo tempo uma classificação enumerativa e uma classificação descritiva. Definitivamente as mudanças positivas estão acontecendo e será necessário incluir os tecnólogos nos planos de cargos no setor público, ação dependente da vontade política dos parlamentares e governantes, como indicativo de efetivo reconhecimento e importância dos tecnólogos para o país e principalmente como justificativa dos investimentos nessa formação.

A mudança de cultura é uma questão antiga, mas mantendo a confusão sobre o ensino, a fase anterior a 1996, foi marcada por uma visão estratégica importante, mas os especialistas deixaram registrados os aspectos culturais elitistas e corporativos. Estava presente nos documentos oficiais a necessidade de profissionais para ocuparem funções subalternas e não transformadores de conhecimentos em inovações.

A figura do bacharel, do universitário, do acadêmico, é destacada em detrimento de outras formas de educação e formação, por exemplo, os cursos de tecnologia. A adjetivação inadequada de cursos de curta duração, intermediário, terminal, oferecido para estudantes menos favorecidos, dentre outros, foram superados em parte. Ainda temos corporações que não perceberam a importância de ampliarmos as opções profissionais na perspectiva de uma melhora tecnológica, social e econômica dos nossos jovens e em conseqüência do país.

Outro conceito inadequado que deve ser reavaliado é o daqueles que afirmam que o avanço tecnológico exige profissionais qualificados, tornando difícil a comunicação entre os engenheiros, bem qualificados, e os demais profissionais da cadeia produtiva, menos qualificados. Em conseqüência os engenheiros acabam assumindo funções menos nobres. Para evitar essa subutilização dos engenheiros os tecnólogos assumiriam essas funções.

O conceito apresentado acima, altamente preconceituoso, trata da subutilização do engenheiro provocada pelo avanço tecnológico. A subutilização profissional continua existindo e no caso dos tecnólogos, por razões distintas, ela pode ser constatada na pesquisa realizada pelo autor, onde as empresas respondem que os tecnólogos não tem autonomia para as atividades: supervisão (26%), estudo (19%), planejamento (9%), projeto (7%) e direção (12%). Ainda que alguns índices sejam baixos inclusive nas respostas das faculdades, não se pode admitir que um graduado não tenha formação e autonomia para assumir as responsabilidades por atividades próprias da sua graduação. Infelizmente os tecnólogos ainda estão sujeitos a reserva de mercado e oportunismo de muitos empregadores. A grande transformação ocorrida a partir de 1996, com grande incentivo a expansão da oferta de cursos de tecnologia, não resolveu alguns problemas de reconhecimento e inserção. Romper com a reserva de mercado, valorizar a competência e não o título de formação depende da ação dos tecnólogos, das entidades representativas e, principalmente, dos governantes que fazem apologia aos cursos de tecnologia.

As finalidades dos cursos de tecnologia estão bem definidas, quais sejam: incentivar o desenvolvimento da capacidade empreendedora e da compreensão do processo tecnológico da produção e da inovação científico-tecnológica; desenvolver competências profissionais tecnológicas, gerais e específicas, para a gestão de processos e a produção de bens e serviços; promover a capacidade de continuar aprendendo e de acompanhar as mudanças nas condições de trabalho; propiciar o prosseguimento de estudos em cursos de pós-graduação; propiciar a compreensão e a avaliação dos impactos sociais, econômicos e ambientais resultantes da produção, gestão e incorporação de novas tecnologias.

Essas características vem ao encontro da atual conjuntura onde o conhecimento é o carro chefe. Para um país que pretende destacar-se e sair da condição de consumidor de tecnologia para produtor de tecnologia, precisa inovar, e isso só acontecerá efetivamente se o investimento em educação for levado a sério e o resultado dessa educação representar reconhecimento e inserção social e profissional.

A inovação começa com o próprio sistema educacional que precisa deixar suas raízes bacharelescas e essencialmente acadêmicas universitárias, para um sistema múltiplo contemplando outras formas de educação e profissionalização. Quando 23% das faculdades que responderam à pesquisa apontam que seus egressos não podem assumir responsabilidades sem restrição na área de formação, alguma coisa precisa ser feita. Não será esse tipo de escola que contribuirá para o desenvolvimento tecnológico esperado.

Quando a Confederação Nacional da Indústria – CNI afirma que o desafio de aumentar a densidade tecnológica das empresas brasileiras exigirá não só muitos engenheiros de qualidade como também tecnólogos de primeira linha para trabalhar ao lado destes e também constata que a oferta de cursos que formam tecnólogos está muito aquém das necessidades. Cabe refletir sobre que tecnólogo está falando, se um graduado com autonomia e liberdade de ação com capacidade empreendedora e da compreensão do processo tecnológico, da produção e da inovação científico-tecnológica, ou se um tecnólogo dependente e subalterno dos engenheiros. Os cursos de tecnologia representam uma opção estratégica para o país, mas alguns problemas como os acima apresentados precisam ser enfrentados com o mesmo interesse e empenho usado para a sua expansão.

Finalmente, pensando numa política nacional, há de se refletir sobre o aumento da oferta de cursos de tecnologia e maior controle na oferta dos bacharelados, estes devem ser oferecidos por instituições de ensino que comprovem excelência e para um público que realmente tem vocação para o estudo teórico aprofundado e a pesquisa científica.

Décio Moreira
Tecnólogo em Construção Civil pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo - FATEC-SP. Mestre em Engenharia de Transportes pela Escola Politécnica da USP. Professor do Departamento de Transportes da FATEC-SP. Presidente do Sindicato dos Tecnólogos do Estado de São Paulo.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

As vantagens de ser um profissional produtivo

Por Maiara Tortorette

Apresentar bons resultados e ser produtivo é fundamental para que o profissional construa uma carreira de sucesso, e principalmente para que seja valorizado no ambiente de trabalho. O colaborador que não consegue se planejar e estabelecer metas para organizar seu trabalho, dificilmente será reconhecido, uma vez que a empresa necessita deste retorno positivo para o seu desenvolvimento.

Ser produtivo não é apenas realizar tarefas pré-estabelecidas ou cumprir responsabilidades, mas pensar em novas ideias, dar sugestões e até mesmo sugerir melhorias. Proatividade e produtividade caminham lado a lado, uma vez que um profissional que pensa como sendo parte da organização, com certeza agirá da mesma maneira, de acordo com os objetivos e necessidades da empresa em que atua.

Para João Carlos Rego, consultor, palestrante e idealizador do "Dia do Cliente", comprometimento e preparação devem caminhar juntos para que o profissional seja produtivo. “Não adianta nada estar preparado se não estiver comprometido, e vice-versa. Então, esses dois pilares trabalham juntos”, define. “A pessoa só vai se tornar produtiva se realmente estiver em sintonia com os objetivos, missão, foco e com o tipo de trabalho que a empresa executa”.

Planejar as tarefas do dia e avaliar prioridades auxiliam o profissional, não só a se organizar, mas a conhecer o seu próprio ritmo de trabalho e seus limites, buscando assim a forma mais adequada de cumprir suas metas e atender às necessidades da organização com a qualidade esperada.

“Existe um grande financista que diz que o segredo do sucesso é identificar onde se quer chegar, ou seja, ter um objetivo, um norte”, menciona João. “Além disso, é preciso se preparar para ir a outros lugares e buscar o que realmente dá satisfação e prazer, o que consequentemente aumentará as chances de comprometimento do profissional”.

Em muitos casos, cabe a própria organização fazer um acompanhamento do desempenho das equipes ou de cada funcionário e pensar na melhor forma de motivá-los e auxiliá-los na questão de serem mais produtivo. Oferecer recursos que facilitem o trabalho também é uma excelente opção, pois em algumas empresas, a infra-estrutura e a qualidade das ferramentas de trabalho não correspondem à demanda exigida.

Otimizar o tempo sem diminuir a produção

Com tanta cobrança e pouco tempo é preciso que os profissionais consigam conciliar sua vida pessoal e profissional, mantendo a produtividade. Levar o trabalho para casa ou ficar até tarde no escritório com frequência não é a melhor solução, sendo assim é preciso que o executivo consiga administrar seu tempo para não misturar as situações.

De acordo com Jaime Vilaseca, fundador da Vilaseca Assessoria de Arte, o profissional não deve se prender as coisas que podem, e devem, ser realizadas fora do ambiente corporativo. “Perder tempo com salas de bate papo, revistas que não tenham relação com o trabalho e conversas desnecessárias, com certeza influenciam negativamente na produção. Caso tenha um tempo livre durante o expediente, o colaborador deve aproveitar para estudar, tirar dúvidas, ler matérias interessantes e utilizar a rede como ferramenta de pesquisa”, define.

“O profissional deve separar aquilo que é importante daquilo que é urgente”, enfatiza João. Para ele a diversidades dos meios de comunicação, como Twitter, Orkut, MSN, também devem ser avaliados para que se utilize apenas as ferramentas necessárias para o trabalho. “O grande diferencial está exatamente na forma de administrar as 24 horas do nosso dia, e principalmente separar algumas horas que devem ser obrigatoriamente dedicadas ao lazer”.

A empresa também deve contribuir para que consiga estabelecer um vínculo de transparência com seus colaboradores, por exemplo, definindo quais serão os padrões de avaliação e desempenho que guiarão o profissional aos melhores resultados. “O profissional deve saber que ele pode contar com a empresa, assim como a organização pode contar com ele. Além disso, é importante que a organização acompanhe o desempenho de cada funcionário e apóie aqueles que realmente são produtivos”, finaliza Jaime.

Fonte: Catho.com.br