quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Educação a distância vale a pena?

Por Ana Rita Martins e Anderson Moço

De 2000 para cá, a chamada EAD cresceu 45.000% em números de alunos no país. Muita gente, no entanto, ainda fica de pé atrás com quem tirou diploma de Pedagogia ou Licenciatura nessa modalidade de ensino. Para avaliar se isso é puro preconceito, veja o que é mito e verdade nessa área.

Para quem mora longe de uma universidade ou não pode ir à aula todos os dias, a Educação a distância (EAD) parece ideal. Por isso, ela tem conquistado tanto espaço. Em 2000, 13 cursos superiores reuniam 1.758 alunos. Em 2008, havia 1.752 cursos de graduação e pós-graduação lato sensu com 786.718 matriculados, segundo a Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed). A modalidade de ensino usa ambientes virtuais, chats, fóruns e e-mails para unir professores e turmas. Assim, quem é de Ribeirão Cascalheiras, a 900 quilômetros de Cuiabá, por exemplo, pode se formar em Pedagogia pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), que mantém um polo na cidade.

As experiências no ensino a distância por aqui começaram no início do século 20, com cursos profissionalizantes por carta, rádio e, mais tarde, pela TV. Só com a internet e a banda larga, eles se tornaram viáveis na graduação e na pós.

Apenas recentemente começamos a apostar na EAD como uma saída para suprir a demanda por formação superior no país. Criada em 2005, a Universidade Aberta do Brasil (UAB) tem como prioridade a formação inicial de professores da Educação Básica pública, além de formação continuada aos graduados. Por meio de parcerias entre 38 universidades federais, a UAB oferece 92 opções de extensão, graduação e pós-graduação.

Poucos formados e falta de fiscalização preocupam

Estudo de 2007 capitaneado por Dilvo Ristoff, então diretor do Departamento de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), comparou os resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade/2006) nas modalidades presencial e a distância. Das 13 áreas em que o confronto foi possível, os de EAD se saíram melhor em sete: Pedagogia, Biologia, Física, Matemática e Ciências Sociais, além de Administração e Turismo. Isso mostra que o fato de as aulas serem a distancia não significa que elas sejam de pior qualidade.

No entanto, é forte a desconfiança no mercado de trabalho em relação aos egressos dessa modalidade. Isso, em parte, por haver poucos diplomados. Dados do Inep revelam que, enquanto a graduação presencial formou 736.829 profissionais em 2006, o ensino a distância contabilizou apenas 25.804. Esse contingente ainda é pequeno para que as redes avaliem a competência deles.

Além disso, especialistas apontam graves problemas na forma como a EAD tem sido conduzida no país. No estudo Professores do Brasil: Impasses e Desafios, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a coordenadora Bernardete Gatti, da Fundação Carlos Chagas (FCC), relata que o governo federal ainda não dispõe de aparato suficiente para acompanhar, supervisionar e fiscalizar os cursos, fato que comprometeria sua qualidade. Outro ponto frágil da política governamental, segundo o trabalho, seria a pouca verba destinada aos tutores (que acompanham a aprendizagem dos grupos), feito por meio de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o que tornaria a qualificação dos profissionais precária.

Para não entrar em uma arapuca, o importante é avaliar as opções antes de se decidir. O documento Referências de Qualidades para a Educação Superior a Distância, elaborado pelo Ministério da Educação (MEC), indica o que você tem direito de saber antes de se matricular:

- Métodos de ensino da universidade;

- Tecnologias usadas;

- O tipo de material didático usado;

- Os tipos de interação disponíveis;

- Quanto tempo leva para o tutor responder às dúvidas.

Outra medida importante é verificar se a instituição está credenciada, se é reconhecida e se já foi fiscalizada. Para isso, basta pesquisar no site siead.mec.gov.br, que traz as instituições que oferecem graduação e pós lato sensu a distância.

Tão importante quanto essas medidas é analisar se o modelo preenche suas necessidades e se é adequado ao seu perfil (faça o teste para saber se você tem o perfil do aluno a distância). Muito se diz sobre a EAD, mas nem tudo pode ser levado a sério. Para ajudar você a conhecer melhor essa modalidade, selecionamos as 16 afirmações mais comuns sobre ela e, com base em estudos, estatísticas e opiniões de renomados especialistas, esclarecemos o que é mito e o que é verdade.


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Pré-requisito para a matrícula

Qualidade pedagógica

Rotina do aluno

Estrutura e corpo docente

Perspectivas para o formado

 
Fonte: Revista Nova Escola

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Cursos tecnólogos

Práticos e dirigidos para as necessidades do mercado, os cursos tecnólogos preparam profissionais para antigas e novíssimas áreas.

Desde que surgiram, os cursos superiores de tecnologia [graduação tecnológica] ou simplesmente cursos tecnólogos, têm brigado para ganhar respeito e valorização. Quem faz um deles não tem dúvida: é uma opção muito interessante para ganhar uma formação específica, com foco total no mercado de trabalho e geralmente possível de ser concluído em bem menos tempo do que uma graduação tradicional.

Para se ter uma ideia do crescimento desses cursos, em 2000 o estudante podia contar com 364 opções em todo o país. Hoje, são mais de 3.500, algumas em áreas do conhecimento que nunca se imaginou estudar no passado, como Ciências Eqüinas e Produção de Música Eletrônica. “Finalmente a educação profissional e tecnológica em nosso país está merecendo a importância estratégica de que já desfruta em muitos países”, comemora Paulo Roberto Wollinger, coordenador-geral de Desenvolvimento e Modernização do Ministério da Educação (MEC).

Os tecnólogos representam 16% das opções no universo da graduação, um número que começa a se aproximar dos 20% que existe em países desenvolvidos.

Oficializados pelo MEC, eles são incluídos na modalidade de Educação Profissional e recebem supervisão da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec).

Características

Os cursos superiores de tecnologia, como o nome diz, conferem aos alunos diploma de nível superior. Isso significa, na prática, que ele pode se apresentar como candidato para qualquer vaga que exija a formação universitária, desde que não haja restrição quanto a uma área específica. Nas universidades, os cursos superiores de tecnologia são equivalentes ao bacharelado e à licenciatura, permitindo que o aluno faça qualquer tipo de pós-graduação depois de sua conclusão.

Outra vantagem dos cursos tecnólogos é a duração. Com algumas exceções, que exigem até quatro anos de estudo, a maior parte não se prolonga além dos três e alguns chegam a durar apenas dois anos. Isso acontece porque o foco do curso é sempre voltado para as necessidades do mercado de trabalho. Por isso, o estudo é concentrado e extremamente ligado à prática – tanto que o estágio é geralmente o ponto alto da empreitada. “As graduações tecnológicas são recortes do mundo do trabalho, elas aprofundam estudos e soluções, por meio da pesquisa aplicada, em atividades profissionais”, explica Paulo Roberto Wollinger, coordenador-geral de Desenvolvimento e Modernização do Ministério da Educação (MEC). “Em geral, abrangem o domínio, o aprimoramento e o gerenciamento de equipamentos, instrumentos e métodos na realização de suas atividades.”

Perfil do aluno

Segundo Denise de Cássia Simitan Barros, coordenadora dos cursos tecnológicos da Universidade Paulista (Unip) em São Paulo, o perfil dos alunos que procuram os cursos tecnólogos é diferenciado em relação ao dos estudantes da graduação tradicional. “São, em geral, pessoas mais velhas, 80% já trabalham e procuram o curso ou para obter um diploma na área em que atuam ou para aumentar um conhecimento específico", diz.

Uma pesquisa da Associação Nacional de Educação Tecnológica (Anete) confirma essa tendência. De acordo com o levantamento, a demanda por esses cursos é grande entre pessoas com idade média de 29 anos, que já possuem experiência no mercado mas ainda não têm formação superior.

Esse modelo de aluno ainda é predominante, mas pessoas mais jovens também estão optando por esse tipo de graduação.

A opinião de quem faz

O paulista Dorival Timóteo Leite, de 54 anos, já tinha experiência profissional, mas não possuía formação superior. Policial militar aposentado, ele cursa o superior tecnológico em Gestão em Segurança Empresarial e Patrimonial na Universidade Paulista (Unip).

Teve a idéia de ingressar em um curso tecnólogo quando montou, por conta própria, sua empresa de segurança. “Sempre desejei fazer uma faculdade, mas não queria um curso prolongado porque não sou mais nenhum menino e seria difícil cursar toda uma graduação tradicional”, justifica. “Esse curso me dá mais dinâmica e aumenta minha capacidade de comunicação no mercado.”

O tempo também foi o fator determinante na decisão do estudante baiano Fillype Jorge Bezerra Marques, de 21 anos, que cursa o tecnólogo de Mecânica (Mecatrônica Industrial) na Faculdade de Tecnologia Senai Cimatec , em Salvador (BA).

Apesar da pouca idade, preferiu um curso mais rápido e voltado para a prática, pensando no retorno rápido de seu investimento. “Dá para trabalhar um ano e meio antes dos alunos que cursam Engenharia”, comemora. “Acho que, na hora de entrar no mercado, as chances do tecnólogo e do engenheiro são as mesmas”, arrisca Fillype, que já atua como técnico do Senai, ministrando aulas e fazendo consultorias em empresas.

É comum ver pessoas com mais de 30 anos nas salas de aula de cursos tecnólogos. A secretária Cláudia Santiago Rezende Santos, de 39 anos, por exemplo, está no primeiro período do Curso Superior de Tecnologia em Secretariado da Universidade Vale do Rio Doce (Univale-MG) em Governador Valadares.

“Queria estudar para me aperfeiçoar e por exigência do mercado, mas precisava conciliar a casa, minha família, o trabalho, e vi que precisava de um curso rápido e direcionado”, lembra. “O tecnólogo é dinâmico e o que aprendo na aula uso rapidamente no meu dia-a-dia profissional. Tanto que melhorei muito tarefas que envolviam escrita e atendimento”, conta. Ela diz, ainda, que em sua classe os alunos têm idade de 18 a 50 anos. “Isso cria um universo muito rico”, afirma

História e evolução

Originalmente, os cursos tecnólogos eram de fato voltados exclusivamente para o setor de tecnologia, ou seja, focados no incremento de áreas de infra-estrutura essenciais para a economia do país. Mas o conceito se expandiu e os serviços e estudos ambientalistas, por exemplo, começaram a entrar de forma pesada na grade de opções.

Tudo começou em 1996, a partir da nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação Nacional, quando esse modelo de curso foi reconhecido como superior e passou a dar direito a uma pós, lato ou stricto sensu, e assumiu um caráter mais amplo, passando a integrar a Educação Profissional de Nível Tecnológico.

Atualmente, ao lado de cursos tradicionais como Automação e Controle e Mecânica, há cursos para formação de tecnólogos em áreas diversas, como agropecuária, artes, comércio, comunicação, construção civil, design, gestão, informática, meio ambiente, saúde, telecomunicações, turismo e hotelaria.


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Formação superior garante renda melhor

Por Márcia De Chiara - O Estado de S.Paulo

Estudos mostram que 72% daqueles que concluem a universidade têm acréscimo médio de 55% no salário.

Cursos de curta duração e ligados às áreas de tecnologia e gestão são os mais procurados pelos estudantes de menor poder aquisitivo. A intenção é obter rapidamente qualificação profissional e melhorar o salário.

"Esse estrato da população que num primeiro momento comprou bens de consumo antes inacessíveis entendeu que para ascender socialmente é preciso estudar para fazer mais renda", afirma o diretor executivo de marketing do Grupo Educacional Estácio, Pedro Graça.

Pesquisa do Sindicato das Entidades de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) com as 500 maiores empresas do Estado mostra que 86% dos jovens empregados recém contratados se formaram em escolas privadas de ensino superior. Desse grupo, 72% tiveram alteração de salário após a conclusão do curso, com um aumento médio de 55% nos vencimentos.

Segundo Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, 35% dos recém formados mudaram de empresa após a conclusão do curso e 58% mudaram de cargo.

Renato Meirelles, sócio diretor do instituto Data Popular, lembra que cada ano de estudo acrescenta 15% a mais no salário para as pessoas da mesma idade, segundo pesquisa do IBGE. Ele aponta também outro dado relevante que solidifica a ascensão das classes de menor renda: 72% dos jovens de classe D estudam mais que os seus pais.

Filho de pai aposentado que trabalha como mestre de obra e mãe dona de casa, Edinaldo Oliveira Santiago, de 39 anos, cursa o 7º semestre de engenharia ambiental numa faculdade particular e é retrato fiel de que com maior escolaridade a ascensão social se consolida.

Depois de quase 15 anos longe da escola, Santiago recomeçou a faculdade em janeiro de 2008. Com segundo grau em técnico de edificações, ele trabalhou por 16 anos na Sabesp, onde ganhava até um mês atrás R$ 2,2 mil na área de tratamento de efluentes.

"Faz dois meses que decidi mudar de emprego. Fiz cadastros online e mandei os currículos", conta. Uma semana após o cadastramento, as novas oportunidades de emprego apareceram. Ao todo foram dez com ofertas melhores de salário.

O estudante optou pela vaga em multinacional que só o contratou pelo salário de R$ 3,8 mil pelo fato de ele estar cursando engenharia ambiental e trabalhar na área há bastante tempo. "Voltar a estudar foi a decisão mais acertada que tomei. Além disso, passei a ver que eu tinha mais possibilidades", diz Santiago. Quando concluir o curso de engenharia, ele acredita que o seu salário pode chegar a R$ 6 mil ou R$ 7 mil.