quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Formação superior garante renda melhor

Por Márcia De Chiara - O Estado de S.Paulo

Estudos mostram que 72% daqueles que concluem a universidade têm acréscimo médio de 55% no salário.

Cursos de curta duração e ligados às áreas de tecnologia e gestão são os mais procurados pelos estudantes de menor poder aquisitivo. A intenção é obter rapidamente qualificação profissional e melhorar o salário.

"Esse estrato da população que num primeiro momento comprou bens de consumo antes inacessíveis entendeu que para ascender socialmente é preciso estudar para fazer mais renda", afirma o diretor executivo de marketing do Grupo Educacional Estácio, Pedro Graça.

Pesquisa do Sindicato das Entidades de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) com as 500 maiores empresas do Estado mostra que 86% dos jovens empregados recém contratados se formaram em escolas privadas de ensino superior. Desse grupo, 72% tiveram alteração de salário após a conclusão do curso, com um aumento médio de 55% nos vencimentos.

Segundo Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, 35% dos recém formados mudaram de empresa após a conclusão do curso e 58% mudaram de cargo.

Renato Meirelles, sócio diretor do instituto Data Popular, lembra que cada ano de estudo acrescenta 15% a mais no salário para as pessoas da mesma idade, segundo pesquisa do IBGE. Ele aponta também outro dado relevante que solidifica a ascensão das classes de menor renda: 72% dos jovens de classe D estudam mais que os seus pais.

Filho de pai aposentado que trabalha como mestre de obra e mãe dona de casa, Edinaldo Oliveira Santiago, de 39 anos, cursa o 7º semestre de engenharia ambiental numa faculdade particular e é retrato fiel de que com maior escolaridade a ascensão social se consolida.

Depois de quase 15 anos longe da escola, Santiago recomeçou a faculdade em janeiro de 2008. Com segundo grau em técnico de edificações, ele trabalhou por 16 anos na Sabesp, onde ganhava até um mês atrás R$ 2,2 mil na área de tratamento de efluentes.

"Faz dois meses que decidi mudar de emprego. Fiz cadastros online e mandei os currículos", conta. Uma semana após o cadastramento, as novas oportunidades de emprego apareceram. Ao todo foram dez com ofertas melhores de salário.

O estudante optou pela vaga em multinacional que só o contratou pelo salário de R$ 3,8 mil pelo fato de ele estar cursando engenharia ambiental e trabalhar na área há bastante tempo. "Voltar a estudar foi a decisão mais acertada que tomei. Além disso, passei a ver que eu tinha mais possibilidades", diz Santiago. Quando concluir o curso de engenharia, ele acredita que o seu salário pode chegar a R$ 6 mil ou R$ 7 mil.


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