sábado, 29 de janeiro de 2011

Faculdades não podem impedir que tecnólogos prossigam seus estudos de pós-graduação

Por Moacir Garcia

Constantemente sou consultado sobre embaraços que algumas entidades de ensino superior tentam colocar no caminho de tecnólogos que procuram prosseguir seus estudos de pós-graduação. A pesar de tais entidades, em tese, serem conhecedoras da legislação educacional vigente, algumas delas ainda insistem em querer burlar a lei, tolhindo os direitos de todo graduado dar prosseguimento em seus estudos acadêmicos.

Transcrevo abaixo as orientações fornecidas a uma mãe que “lutava” com uma determinada faculdade – a que possuía o curso de pós-graduação pretendido por seu filho – para que aceitasse a graduação tecnológica como nível superior.

A legislação é clara: graduação tecnológica é ensino superior. Tecnólogo é profissional graduado assim como o bacharel e o licenciado.

Pesquisei a legislação vigente sobre educação superior, cursos de tecnólogos e assuntos afins, além de manter-me conectado aos principais jornais e revistas online do País, sendo avisado por e-mail sobre matérias referente a tecnólogo e, adivinhem: NÃO HÁ ARGUMENTO LEGAL para entidades de ensino superior, empresas ou quem quer que seja NEGAR as mesmas oportunidades ao Tecnólogo.

Tecnólogo que tem seus direitos tolhidos por quaisquer entidades de ensino superior quanto ao seu ingresso para prosseguimento de estudos deve encaminhar ofício relatando minuciosamente o fato ao MEC - ao Conselho Nacional de Educação (CNE), à Secretaria de Educação Superior (SESU) e à Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC). Isso pode ser feito por e-mail no site do MEC.

Essas entidades do Governo são responsáveis pela legislação e normas sobre o ensino brasileiro. Na maioria das vezes as reclamações dão origem a pareceres, resoluções e notas técnicas, que têm força normativa, devendo, em tese, serem respeitados por todos. Todavia nem a lei pode impor uma mudança de cultura - ainda elitista, convenhamos – às pessoas presas às profissões tradicionais que temem perder espaço para os tecnólogos.

Além disso, quaisquer solicitações à entidade de ensino superior, devem ser feitas por escrito em duas vias, sendo uma delas devolvida recibada pela instituição. Deixar claro no documento que pede deferimento, para que a entidade especifique as fundadas razões em caso de indeferimento.

Por fim, recomendo a visita ao site do Conselho Nacional de Educação (CNE) e no link “"Atos normativos - súmulas, pareceres e resoluções" fazer uma análise dos seguintes atos normativos: Parecer CNE/CEB 17/1997, Parecer CNE/CES 436/2001, Parecer CNE/CES 29/2002, Resolução CNE/CP 03/2002, Nota Técnica MEC/DPAI 001/2007, Nota Técnica MEC/DRSEPT/SETEC 109/2009. Creio que assim, não restará dúvida sobre o assunto.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A validade do diploma obtido através da educação a distância

Por Moacir Garcia*

A Norma máxima sobre educação no Brasil é a Lei nº 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDBEN).

Esta lei, em seu art. 80 versa o seguinte: “o Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância [EaD], em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada.” Tal dispositivo legal foi regulamentado através do Decreto nº 5.622/2005.

Sobre validade de diploma de nível superior, na LDBEN só há registro num único artigo, que transcrevo na íntegra abaixo:

"Art. 48. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos, quando registrados, terão validade nacional como prova da formação recebida por seu titular.

§ 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados, e aqueles conferidos por instituições não-universitárias serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação."

Já o referido Decreto Federal regulamentador da Educação a Distância no País exprime o seguinte posicionamento sobre a validade de diploma EaD:

"Art. 5º Os diplomas e certificados de cursos e programas a distância, expedidos por instituições credenciadas e registrados na forma da lei, terão validade nacional.

Parágrafo único. A emissão e registro de diplomas de cursos e programas a distância deverão ser realizados conforme legislação educacional pertinente."

Como se vê, em nenhum dos principais instrumentos legais que versam sobre Educação a Distância (EaD) em nosso País – a Lei 9.394/1996 e o Decreto Federal nº 5.622/2005 – há distinção entre educação presencial ou a distância como critério para valorar mais ou menos um diploma, seja ele de qualquer nível escolar.

Assim, com base na legislação educacional vigente, conclui-se que os requisitos mínimos para que um diploma de nível superior tenha validade nacional são estes:

- instituição de ensino superior credenciada para educação a distância no MEC;

- curso superior reconhecido; e

- diploma registrado.


* Moacir Garcia é servidor público estadual do ES, Tecnólogo em Gestão de Recursos Humanos pela UMESP, com diversos cursos de aperfeiçoamento/atualização na área de Gestão, atuando há mais de 17 anos no treinamento e desenvolvimento de servidores estaduais.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Liderança: Trabalho com Moderação

Por Layr Malta*

Recentemente foi divulgada uma pesquisa por um dos centros de conhecimento mais influentes do mundo, a University College of London, que me inspirou uma reflexão sobre como costumamos conceber a relação que o trabalho deve ocupar em nossas vidas para se obter o tão desejado sucesso profissional. Com base em um levantamento feito ao longo de 11 anos de acompanhamento de 6.014 trabalhadores londrinos, de 39 a 61anos, concluiu-se que aqueles que excediam em até 3 horas a carga normal de trabalho por dia (considerando o expediente de 7 a 8 horas) apresentaram uma tendência 60% maior de desenvolverem doenças relacionadas ao coração. Em contrapartida, a mesma pesquisa apontou que nas pessoas que trabalham excessivamente, mas que sentem prazer pelo que fazem, esse índice era menor.

Ainda que esse estudo não revele algo excessivamente surpreendente, afinal todos temos consciência que stress, excesso de trabalho e coração pode ser uma combinação perigosíssima, ele nos aponta outro caminho para onde deveríamos centrar a atenção. Nessa rotina louca dentro do mundo corporativo, em que é cada vez mais comum a redução das equipes de trabalho e, em conseqüência, o acúmulo de funções para cada colaborador, a coisa mais comum é observarmos as pessoas excederem a carga horária normal para conseguirem dar conta de tanta demanda. Quantas pessoas que de tão imersas em seu trabalho e, muitas vezes, na ânsia de ganhar cada vez mais, não acabam descuidando da família, do tempo dedicado ao lazer, ao descanso e, sobretudo, param de prestar atenção aos sinais do próprio corpo? Afinal, ter olhos só para o trabalho nos impede de estar atentos a estados depressivos, faz com que não tenhamos tempo de cuidar da saúde ou de tratar uma doença.

Muitas vezes, percebo que há uma confusão entre a ligação que é feita entre sucesso profissional e dedicação sem limites ao trabalho. Fazer mais do que a obrigação, característica essencial àqueles que querem ser reconhecidos pelo esforço e desejam se tornar líderes empreendedores, eventualmente implica numa dedicação maior ao trabalho. A hora extra é necessária em determinados momentos da carreira, mas devemos cuidar para que ela não se torne uma regra e suprima todas as outras esferas de nossa vida. Afinal, o verdadeiro líder não é aquele que se exaure de tanto trabalhar a ponto de perder o potencial de criar e lidar com situações problema ou imprevistos, mas sim aquele que executa seu trabalho com eficiência a partir de um bom aproveitamento do tempo. Liderança é dedicar-se a algo por prazer e que, por essa razão, extrapola o patamar da iniciativa e da concepção de novas ideias, e passa a ter a competência para colocá-las em prática e levá-las até o fim.

Só é reconhecido aquele que mostra resultados. E alcançar um resultado eficiente não implica necessariamente só ter olhos para o trabalho, mas sim saber administrá-lo com sabedoria, comedimento e, sobretudo, eficiência. O líder que é reconhecido sabe que muitas outras questões envolvem o sucesso e não passam, necessariamente, pelo sacrifício do trabalho excessivo. É preciso, também, atentar para outras questões: saber observar para delegar tarefas às pessoas certas e capazes de realizar determinadas funções, estabelecer cobranças para cumprimento de prazos e orçamentos, saber extrair ao máximo os recursos de que dispõe e, é claro, saber quando é hora de descansar e dedicar um tempo a si e àqueles que nos querem bem. Por fim, se avaliarmos tudo isso, a verdade é que o trabalho excessivo se revela prejudicial não “apenas” ao coração, mas sim, um mal a ser evitado àqueles que desejam obter o sucesso profissional e a exercer a verdadeira liderança.

* Layr Malta é conferencista, escritor e treinador motivacional da SilvaNEWS.

Fonte: SilvaNEWS

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Como tirar seu diploma pela internet

Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da Revista Época de 28/agosto/2010.

Por Camila Guimarães. Com Daniella Cornachione e Marcela Buscato

Um em cada sete novos alunos de graduação no país faz seu curso à distância. Eles são mais baratos, e o MEC está aumentando a cobrança de qualidade. Nas próximas páginas, um guia para você estudar em casa.

Antonio Edijalma Rocha Jr., de 41 anos, é a cara do novo ensino à distância brasileiro. Ele voltou para a sala de aula 18 anos depois de ter se formado em um curso técnico. As tarefas de gerente de planejamento – ele trabalhava em uma fábrica de calçados em Jaú, no interior de São Paulo – e de pai o impediam de realizar a vontade antiga ter uma graduação. “O tempo foi passando e perdi o pique de estudar. Mas sempre quis fazer faculdade”, diz. Encontrou a oportunidade de estudar de novo no ensino à distância.

O curso de gestão de produção industrial, oferecido por uma universidade no Paraná, durou dois anos e meio, de janeiro de 2006 a julho de 2008. Comparando o ensino à distância com o curso técnico presencial, que fez há quase 20 anos, Rocha aponta uma grande diferença. No primeiro, a preocupação era com o diploma. No segundo, com a concorrência. “Isso fez com que eu me esforçasse para aprender mais.”

Em 2008, após se formar, Rocha foi convocado para fazer o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), aplicado a quase 2 mil alunos de ensino superior – tanto à distância quanto presencial. Ficou em primeiro lugar, com nota 80,3 (a média foi de 45, em 100 pontos possíveis).

O resultado garantiu a Rocha uma bolsa de estudos para fazer pós-graduação à distância em engenharia de produção, no valor de R$ 3 mil. Ele começou em março. Hoje, Rocha dá consultoria para empresas e é professor técnico no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Melhorar de vida, como Rocha, é o objetivo do mais de meio milhão de estudantes brasileiros matriculados em cursos pela internet. Eles assistiram a aulas por TV via satélite ou pela internet, fizeram trabalhos em grupo, valendo nota, em salas de bate-papo on-line, acessaram livros em bibliotecas virtuais para estudar para a prova e tiraram dúvidas sobre o que iria ser cobrado no teste por e-mail. No ano passado, 302 mil pessoas se matricularam em cursos on-line (cerca de um sétimo do total de matrículas do país).

Os adeptos do ensino à distância formam uma multidão que cresceu mais de 600% entre 2005 e 2008. A febre começou com cursos técnicos e de especialização. Trata-se de um fenômeno mundial, turbinado pela valorização do ensino. Muita gente está em busca de conhecimento, porque sentiu que ele garante mais oportunidades.

O fenômeno brasileiro vem sendo puxado pela oferta de diplomas de graduação. Segundo o censo da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), obtido com antecedência por ÉPOCA, havia 649.854 pessoas fazendo cursos de ensino superior on-line em 2009 – mais de 80% delas em graduação. Escolas tradicionais, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), passaram a oferecer cursos.

Trata-se de uma revolução nesse tipo de ensino. A educação à distância existe no Brasil desde a década de 30. Foi inaugurada com um curso de técnico de rádio por correspondência. Sua inspiração veio da Europa. A Universidade de Londres, uma das mais tradicionais do mundo, oferece esse tipo de curso há mais de um século. Na Espanha, a Universidade Nacional de Educação a Distância foi fundada há 35 anos (e hoje tem 180 mil alunos). Nos Estados Unidos, os cursos on-line são o ramo da educação que mais cresce. Algumas universidades de elite, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT), Berkeley e Yale, compartilham gratuitamente versões digitais dos materiais de seus cursos. Mas não dão diploma.

No Brasil, não só o Ministério da Educação (MEC) está regularizando vários cursos, como proíbe as universidades de dar aos alunos remotos um diploma diferente do curso presencial. Consultamos várias empresas para checar se contratavam gente formada à distância. Todas disseram que nem têm como saber o tipo de curso que seus funcionários fizeram.

O ensino à distância começou a mudar com a popularização da internet e da banda larga e com a oferta de cursos, além dos técnicos. Na graduação, os mais procurados estão nas áreas de administração, pedagogia e tecnologia. Mas é possível cursar ciências biológicas e enfermagem remotamente, tanto em instituições públicas quanto privadas (45% das escolas à distância reconhecidas pelo Ministério da Educação são gratuitas). “O Brasil começa a descobrir que educação à distância é a melhor alternativa para quem não teve acesso às universidades”, diz Frederic Litto, presidente da Abed. A principal diferença de estudar pela internet é o esforço exigido do aluno. Ele tem de ser mais ativo.

Ela é especialmente útil para quem trabalha e não tem tempo de cumprir a rotina diária da faculdade. De acordo com o censo da Abed, 57% dos alunos de cursos remotos têm mais de 30 anos e buscam novas oportunidades. Quase a metade (47%) ganha entre um e cinco salários mínimos. Além da flexibilidade de horário, também pesam as mensalidades, em média a metade do preço. “A faculdade à distância é bem democrática. Você faz seu horário e alcança o nível de conhecimento que quiser. Depende de seu esforço”, diz Rocha.

Fonte: Revista Época

domingo, 16 de janeiro de 2011

A importância do líder para o bom relacionamento entre empresa e equipe

Por Redação Administradores 

Algumas características são essenciais para quem assume a árdua tarefa de ser líder. Relacionamento interpessoal, saber ouvir e administrar conflitos, praticar elogios, resolver problemas, tomar decisões, mostrar confiança e credibilidade são algumas delas.

Nas relações de trabalho, mais do que um guia para os colaboradores, quem assume esta postura gera o comprometimento de todos para alcançar as metas da empresa. "O mercado precisa de líderes que garantam uma flexibilidade necessária diante das mudanças, que sejam inovadores, engajem sua equipe e tenham credibilidade com visão de futuro", explica Crismeri Delfino Corrêa, vice-presidente de Gestão e Inovação da ABRH-RS.

Esta habilidade pode ser treinada, mas depende da vontade de cada profissional. Sabe-se que o líder pode ser construído, treinado, capacitado, e para isto, precisa colocar todos os seus esforços nas competências de liderança que possui.

O verdadeiro líder se desenvolve quando aprende a ensinar e delegar tarefas de forma eficaz, mas isso não deve ser confundido com rigidez. "Antigamente entendia-se que os líderes eram aqueles que tinham mais força física. Entretanto, hoje em dia, ninguém consegue ser rígido com um público que sabe o que quer e não admite mais submissão", completa Crismeri.

Fonte: Administradores

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Por que quatro anos?

Por Claudio de Moura Castro*

Por que os cursos superiores têm quatro anos de duração? Não é difícil entender que algumas ocupações são mais complexas e requerem preparação mais longa. Existem mais de 2.000 ocupações catalogadas no Brasil, cada uma com suas competências. Mas é no mínimo estranho que, de repente, saltemos do diploma médio para o superior de quatro anos sem nada no meio do caminho. Com centenas de ocupações de nível relativamente complexo, por que não haveria muitas que exijam mais que o médio e menos que quatro anos? Nos Estados Unidos e na Europa, há mais graduados de cursos de dois anos (ou menos) que de quatro anos. Argentina, Chile e Venezuela têm cerca de um terço de seus graduados em cursos curtos.

O Brasil é um retardatário, pois somente agora atinge 10% a matrícula superior em cursos mais curtos. Mas começamos a ter alternativas à ditadura dos quatro anos. Com a reforma em meados dos anos 90, cria-se o técnico pós-médio de um ano. Esse novo técnico compacta em um só ano o que era dado ao longo de três, quando era integrado ao ciclo médio. Pode ser feito em paralelo ao médio ou por quem já o terminou. Os cursos para tecnólogos e os seqüenciais estão sendo regulamentados em períodos de dois a três anos. Criou-se, portanto, uma escadinha natural, indo de cursos de um ano (os técnicos) ao outro extremo, de sete (medicina). Corresponde à idéia de que o pulo para o curso de quatro anos é uma descontinuidade artificial. Cada carreira requer certas competências, e o tempo que leva para adquiri-las não tem por que ser igual – muito menos quatro anos.

Na verdade, pesquisas feitas nos Estados Unidos mostraram que 20% dos novos empregos requerem ensino superior, embora a oferta de graduados seja de 28% para essa faixa. Em contraste, 65% das ocupações exigem cursos curtos, apesar de somente 32% dos estudantes chegarem ao mercado com essa formação. Em outras palavras, o mercado mais dinâmico é o das formações curtas, não o das tradicionais, de quatro anos. Não temos estudos similares no Brasil, mas aqui a situação deve ser parecida. Ao crescer 270% em 2001, os cursos seqüenciais mostraram que o país não é tão diferente.

Isso se deve ao crescimento explosivo das ocupações da informática, dos escritórios, da área de saúde, de serviços pessoais e da indústria do lazer, do turismo, da hospitalidade e da instalação e manutenção de miríades de equipamentos. Portanto, não se trata de menos anos para as velhas ocupações, mas de novas ocupações requerendo menos tempo de estudo.

Não podemos nos esquecer das oportunidades que cursos curtos oferecem aos novos perfis de alunos que estão terminando o curso médio. Nos Estados Unidos, apesar de os Estados garantirem vaga em cursos superiores de quatro anos a todos os residentes, uma ampla maioria prefere a alternativa de dois anos. O mesmo acontece na França.

As primeiras pesquisas no Brasil com cursos para tecnólogos e seqüenciais mostram que sua clientela é de alunos trabalhadores que buscam novas oportunidades pessoais e profissionais. Ou seja, estão oferecendo uma alternativa mais curta, mais barata e mais apropriada a sua situação de vida e preferência pessoal. Afinal, educação permanente é isso, é para toda a vida. O mesmo está começando a acontecer com o novo técnico pós-médio – em que já existem parcerias do Ministério da Educação com a Central Única dos Trabalhadores. Segundo o representante da Força Sindical no Fórum Nacional do Ministro Reis Velloso (de 2002), agora a classe operária tem acesso aos cursos técnicos, pois não são mais monopolizados pelos ricos.

Mas as conquistas não são tranqüilas e definitivas. Há ameaças de vários lados. Umas por conservadorismo, outras para preservar reservas de mercado. Algumas associações de classe tentam defender seus feudos no tapetão da lei. Outros sonham nostalgicamente com uma universidade de pesquisa para todos, como se em algum país fosse assim. Para esses, oferecer diplomas ao cabo de dois anos é abastardar o ensino superior, sacrilégio imperdoável. Em sua cabeça não entra a idéia de que superior é tudo que vem depois do médio, incluindo a preparação para muitas ocupações novas ou que se transformaram.

* Claudio de Moura Castro é economista.