quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Como tirar seu diploma pela internet

Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da Revista Época de 28/agosto/2010.

Por Camila Guimarães. Com Daniella Cornachione e Marcela Buscato

Um em cada sete novos alunos de graduação no país faz seu curso à distância. Eles são mais baratos, e o MEC está aumentando a cobrança de qualidade. Nas próximas páginas, um guia para você estudar em casa.

Antonio Edijalma Rocha Jr., de 41 anos, é a cara do novo ensino à distância brasileiro. Ele voltou para a sala de aula 18 anos depois de ter se formado em um curso técnico. As tarefas de gerente de planejamento – ele trabalhava em uma fábrica de calçados em Jaú, no interior de São Paulo – e de pai o impediam de realizar a vontade antiga ter uma graduação. “O tempo foi passando e perdi o pique de estudar. Mas sempre quis fazer faculdade”, diz. Encontrou a oportunidade de estudar de novo no ensino à distância.

O curso de gestão de produção industrial, oferecido por uma universidade no Paraná, durou dois anos e meio, de janeiro de 2006 a julho de 2008. Comparando o ensino à distância com o curso técnico presencial, que fez há quase 20 anos, Rocha aponta uma grande diferença. No primeiro, a preocupação era com o diploma. No segundo, com a concorrência. “Isso fez com que eu me esforçasse para aprender mais.”

Em 2008, após se formar, Rocha foi convocado para fazer o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), aplicado a quase 2 mil alunos de ensino superior – tanto à distância quanto presencial. Ficou em primeiro lugar, com nota 80,3 (a média foi de 45, em 100 pontos possíveis).

O resultado garantiu a Rocha uma bolsa de estudos para fazer pós-graduação à distância em engenharia de produção, no valor de R$ 3 mil. Ele começou em março. Hoje, Rocha dá consultoria para empresas e é professor técnico no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Melhorar de vida, como Rocha, é o objetivo do mais de meio milhão de estudantes brasileiros matriculados em cursos pela internet. Eles assistiram a aulas por TV via satélite ou pela internet, fizeram trabalhos em grupo, valendo nota, em salas de bate-papo on-line, acessaram livros em bibliotecas virtuais para estudar para a prova e tiraram dúvidas sobre o que iria ser cobrado no teste por e-mail. No ano passado, 302 mil pessoas se matricularam em cursos on-line (cerca de um sétimo do total de matrículas do país).

Os adeptos do ensino à distância formam uma multidão que cresceu mais de 600% entre 2005 e 2008. A febre começou com cursos técnicos e de especialização. Trata-se de um fenômeno mundial, turbinado pela valorização do ensino. Muita gente está em busca de conhecimento, porque sentiu que ele garante mais oportunidades.

O fenômeno brasileiro vem sendo puxado pela oferta de diplomas de graduação. Segundo o censo da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), obtido com antecedência por ÉPOCA, havia 649.854 pessoas fazendo cursos de ensino superior on-line em 2009 – mais de 80% delas em graduação. Escolas tradicionais, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), passaram a oferecer cursos.

Trata-se de uma revolução nesse tipo de ensino. A educação à distância existe no Brasil desde a década de 30. Foi inaugurada com um curso de técnico de rádio por correspondência. Sua inspiração veio da Europa. A Universidade de Londres, uma das mais tradicionais do mundo, oferece esse tipo de curso há mais de um século. Na Espanha, a Universidade Nacional de Educação a Distância foi fundada há 35 anos (e hoje tem 180 mil alunos). Nos Estados Unidos, os cursos on-line são o ramo da educação que mais cresce. Algumas universidades de elite, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT), Berkeley e Yale, compartilham gratuitamente versões digitais dos materiais de seus cursos. Mas não dão diploma.

No Brasil, não só o Ministério da Educação (MEC) está regularizando vários cursos, como proíbe as universidades de dar aos alunos remotos um diploma diferente do curso presencial. Consultamos várias empresas para checar se contratavam gente formada à distância. Todas disseram que nem têm como saber o tipo de curso que seus funcionários fizeram.

O ensino à distância começou a mudar com a popularização da internet e da banda larga e com a oferta de cursos, além dos técnicos. Na graduação, os mais procurados estão nas áreas de administração, pedagogia e tecnologia. Mas é possível cursar ciências biológicas e enfermagem remotamente, tanto em instituições públicas quanto privadas (45% das escolas à distância reconhecidas pelo Ministério da Educação são gratuitas). “O Brasil começa a descobrir que educação à distância é a melhor alternativa para quem não teve acesso às universidades”, diz Frederic Litto, presidente da Abed. A principal diferença de estudar pela internet é o esforço exigido do aluno. Ele tem de ser mais ativo.

Ela é especialmente útil para quem trabalha e não tem tempo de cumprir a rotina diária da faculdade. De acordo com o censo da Abed, 57% dos alunos de cursos remotos têm mais de 30 anos e buscam novas oportunidades. Quase a metade (47%) ganha entre um e cinco salários mínimos. Além da flexibilidade de horário, também pesam as mensalidades, em média a metade do preço. “A faculdade à distância é bem democrática. Você faz seu horário e alcança o nível de conhecimento que quiser. Depende de seu esforço”, diz Rocha.

Fonte: Revista Época

Um comentário:

  1. Tem como divulgar as instituições, e os cursos na área da indústria que estão sendo disponivilizados online?

    ResponderExcluir