sábado, 22 de janeiro de 2011

Liderança: Trabalho com Moderação

Por Layr Malta*

Recentemente foi divulgada uma pesquisa por um dos centros de conhecimento mais influentes do mundo, a University College of London, que me inspirou uma reflexão sobre como costumamos conceber a relação que o trabalho deve ocupar em nossas vidas para se obter o tão desejado sucesso profissional. Com base em um levantamento feito ao longo de 11 anos de acompanhamento de 6.014 trabalhadores londrinos, de 39 a 61anos, concluiu-se que aqueles que excediam em até 3 horas a carga normal de trabalho por dia (considerando o expediente de 7 a 8 horas) apresentaram uma tendência 60% maior de desenvolverem doenças relacionadas ao coração. Em contrapartida, a mesma pesquisa apontou que nas pessoas que trabalham excessivamente, mas que sentem prazer pelo que fazem, esse índice era menor.

Ainda que esse estudo não revele algo excessivamente surpreendente, afinal todos temos consciência que stress, excesso de trabalho e coração pode ser uma combinação perigosíssima, ele nos aponta outro caminho para onde deveríamos centrar a atenção. Nessa rotina louca dentro do mundo corporativo, em que é cada vez mais comum a redução das equipes de trabalho e, em conseqüência, o acúmulo de funções para cada colaborador, a coisa mais comum é observarmos as pessoas excederem a carga horária normal para conseguirem dar conta de tanta demanda. Quantas pessoas que de tão imersas em seu trabalho e, muitas vezes, na ânsia de ganhar cada vez mais, não acabam descuidando da família, do tempo dedicado ao lazer, ao descanso e, sobretudo, param de prestar atenção aos sinais do próprio corpo? Afinal, ter olhos só para o trabalho nos impede de estar atentos a estados depressivos, faz com que não tenhamos tempo de cuidar da saúde ou de tratar uma doença.

Muitas vezes, percebo que há uma confusão entre a ligação que é feita entre sucesso profissional e dedicação sem limites ao trabalho. Fazer mais do que a obrigação, característica essencial àqueles que querem ser reconhecidos pelo esforço e desejam se tornar líderes empreendedores, eventualmente implica numa dedicação maior ao trabalho. A hora extra é necessária em determinados momentos da carreira, mas devemos cuidar para que ela não se torne uma regra e suprima todas as outras esferas de nossa vida. Afinal, o verdadeiro líder não é aquele que se exaure de tanto trabalhar a ponto de perder o potencial de criar e lidar com situações problema ou imprevistos, mas sim aquele que executa seu trabalho com eficiência a partir de um bom aproveitamento do tempo. Liderança é dedicar-se a algo por prazer e que, por essa razão, extrapola o patamar da iniciativa e da concepção de novas ideias, e passa a ter a competência para colocá-las em prática e levá-las até o fim.

Só é reconhecido aquele que mostra resultados. E alcançar um resultado eficiente não implica necessariamente só ter olhos para o trabalho, mas sim saber administrá-lo com sabedoria, comedimento e, sobretudo, eficiência. O líder que é reconhecido sabe que muitas outras questões envolvem o sucesso e não passam, necessariamente, pelo sacrifício do trabalho excessivo. É preciso, também, atentar para outras questões: saber observar para delegar tarefas às pessoas certas e capazes de realizar determinadas funções, estabelecer cobranças para cumprimento de prazos e orçamentos, saber extrair ao máximo os recursos de que dispõe e, é claro, saber quando é hora de descansar e dedicar um tempo a si e àqueles que nos querem bem. Por fim, se avaliarmos tudo isso, a verdade é que o trabalho excessivo se revela prejudicial não “apenas” ao coração, mas sim, um mal a ser evitado àqueles que desejam obter o sucesso profissional e a exercer a verdadeira liderança.

* Layr Malta é conferencista, escritor e treinador motivacional da SilvaNEWS.

Fonte: SilvaNEWS

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