segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Melhor não provocar os tecnólogos

Por Moacir Garcia

No dia 23.02.2011, recebi um e-mail de uma pessoa que por questões éticas irei chamar de Bacharelando em Administração de Empresas. Este cidadão externou sua “opinião e revolta” contra meu artigo Curso Superior de Tecnologia é válido como nível superior, sim!, publicado em nosso Blog na madrugada de 23.02.2011, onde nada fiz senão deixar bem claro que graduado em curso superior de tecnologia não é técnico, e sim tecnólogo.

Para todos entenderem tamanha “revolta” do nosso colega Bacharelando em Administração de Empresas, segue alguns pontos do referido e-mail que considerei interessante destacar aos demais colegas tecnólogos.

Assunto: Posição ao artigo do Blog 'Tecnólogo & Educação' do dia 23/02/2011

Sr.: Moacir Garcia

Na oportunidade de saudá-lo, venho por esta via expor a minha opinião e revolta contra vossa página digital e a matéria do dia 23 de fevereiro de 2011 (http://tecnologoeeducacao.blogspot.com/), onde se pretende equiparar o bacharel ao tecnólogo.

Como bacharelando, julguei o material exposto extremamente desrespeitoso, colocando opiniões um tanto pessoais à frente dos reais escopos de cada tipo de graduação!

(...)

O bacharel possui todos os respaldos necessários para o bom exercício da atividade e desenvolvimento de pesquisas, diferentemente do Tecnólogo, cujo (sic) é treinado para atividades pré-determinadas e está apto apenas a auxiliar o Administrador (Bacharel em Administração de Empresas).(grifo meu)

(...)

O que percebemos é que suas afirmações estão completamente embasadas em conhecimentos empíricos e sem quaisquer bases científicas ou de pesquisas (...).(grifo meu)

Se pesquisarmos, perceberemos que a opção dos cursos de Tecnologia está voltada à pessoas que não possuem condições financeiras ou intelectuais de fazer bacharelado, ou que pretendem se inserir rapidamente no mercado de trabalho como auxiliares.” (grifo meu)

Como não consigo deixar ninguém menosprezar nossa categoria sem apresentar argumentos plausíveis, tratei de escrever um e-mail com “umas poucas linhas” ao nosso colega Bacharelando em Administração de Empresas, a fim de mostrar-lhe que não somos meros auxiliares, muito menos optamos pela graduação tecnológica por não termos condições financeiras ou intelectuais para fazer bacharelado. Lá vai:

Caro Bacharelando em Administração de Empresas,

Para começar, citarei algumas pesquisas realizadas no País sobre o profissional Tecnólogo (disponíveis no Blog Tecnólogo & Educação) que poderão ajudá-lo a ter uma visão melhor deste graduado:

1- A Educação profissional e Você no mercado de trabalho (2010);

2- Formação, nível de competência e situação de trabalho do Tecnólogo (2009);

3- Cursos Superiores de Tecnologia: um estudo de sua demanda sob a ótica do estudante (2009); e

4-Você no mercado de trabalho (2008).

Além disso, segundo o MEC, em sua Nota Técnica MEC/DPAI nº 001/2007:

“O ensino superior no Brasil possui as graduações em três formas equivalentes, a saber: Licenciatura, Bacharelado e Graduação Tecnológica. As graduações tecnológicas, ou Cursos Superiores de Tecnologia [título de TECNÓLOGO a seus diplomados] conferem o mesmo grau que as demais formas, cujos diplomas têm validade nacional de nível superior”. (grifo meu)

“Os egressos de Cursos Superiores de Tecnologia estão aptos a assumir função de nível superior, prestar concursos para esse nível, bem como proceder a estudos de pós-graduação em nível de especialização, mestrado e doutorado”.

O MEC finaliza tal Nota Técnica assim:

“considerando tecnólogos como aptos a participar do processo seletivo em condições de igualdade aos egressos de cursos de bacharelado e licenciaturas, para provimento de vagas com exigência de nível superior”. (grifo meu)

Como pode ver, Bacharelando em Administração de Empresas, de acordo com o Órgão máximo normativo no âmbito da Educação no Brasil as três graduações têm formas equivalentes, não havendo, assim, hierarquia entre elas.

Já que estamos falando em hierarquia, pergunto: quem é maior na hierarquia, o juiz, o promotor ou o advogado? Ainda sobre hierarquia, quem é mais bem preparado, o profissional que cursou 4, 5 ou 6 anos de faculdade? Um médico é superior ao administrador ou tecnólogo já que estudou por mais tempo, haja vista que seu curso superior é mais longo? Acredito que também concordará comigo: não!

Citarei o art. 6º da Lei nº 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil -OAB):

Não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público, devendo todos tratar-se com consideração e respeito recíprocos.” (grifo meu)

DEMAIS PROFISSIONAIS QUE TRABALHAM JUNTOS PODERIAM SEGUIR ESTE BELO EXEMPLO.

Cada um tem seu papel dentro da empresa. Se o faxineiro não faz seu trabalho, se a recepcionista não atende bem seus visitantes, se o vendedor não resolve problemas do cliente, etc., o superintendente ou presidente da empresa – que segundo sua escala hierarquia é o “maioral” e os demais meros auxiliares – passará uma imagem ruim para seus clientes e fornecedores. E possivelmente não poderá, também, fazer seu trabalho, já que a imagem da empresa estará prejudicada.

Quero dizer, com isso, que se você leu meu artigo, sabe que o que escrevi foi para deixar claro àqueles que consideram o profissional graduado tecnólogo um mero auxiliar - um coitado que não possui condições financeiras ou intelectuais para fazer bacharelado - que não é bem assim. Basta ler um pouco mais, acompanhar o mercado de trabalho e, certamente, mudará de opinião.

Saiba que se não fosse alguns Conselhos de Classe – CFA/CRA e CREA, por exemplo – que ainda reservam vagas em concursos públicos e empresas privadas para seus bacharéis, o mercado de trabalho estaria diferente para todos, pois há lugar para cada profissional, sem um interferir nas funções do outro. Contudo, certas categorias de profissionais tradicionais temem perder espaço para nós, tecnólogos.

Se nós, tecnólogos, somos meros auxiliares, por que o temor? Se somos desqualificados, deixe-nos fazer nosso trabalho subalterno.

O que me diz do licenciado - o professor -, aquele que foi responsável por nos fornecer a base intelectual para hoje sermos o que somos? Ele também é desqualificado por que não é bacharel?

Como Tecnólogo, coordenador de recursos humanos num órgão do Governo, tenho dezenas de bacharéis subordinados a mim, um mero tecnólogo que não teve condições de fazer bacharelado (ou não precisou, para ganhar o que ganho - bem mais que muitos bacharéis que imploram emprego por 2.000 ou 3.000 reais mensais).

Segue, caro colega, um trecho de matéria veiculada na mídia esta semana (23.02.2011) sobre a falta de bacharéis em determinadas áreas profissionais e sua possível substituição por tecnólogos.


"O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante (...) defende que a falta de engenheiros seja suprida por tecnólogos com formação mais curta do que o bacharelado em engenharia. (...) “O Brasil vai ter que acelerar a formação desse profissional que está fazendo falta no mercado”, insistiu Mercadante que contabiliza a formação de 10 mil tecnólogos e 30 mil engenheiros anualmente no país".

Cordialmente,

MOACIR GARCIA

Assim, caros tecnólogos, vamos usar este espaço (Blog Tecnólogo & Educação) para defendermos nossa classe, pois se nos calarmos o mercado de trabalho nos tratará como meros auxiliares dos bacharéis.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Censo do MEC comprova que oferta dos cursos a distância aumentou em 2009

A oferta de cursos a distância cresceu 30,4% em 2009 em relação a 2008, segundo o Censo de Educação Superior divulgado pelo MEC (Ministério da Educação). Apesar do aumento, ainda há empresas que vêem com alguma estranheza essa modalidade de ensino. “Da mesma forma que os cursos para formação de tecnólogos rendiam muitos questionamentos há alguns anos, a educação a distância também gera dúvidas, mas nada que exclua o candidato de um processo de seleção”, afirma Bruna Tokunaga Dias, gerente de carreiras da Cia de Talentos.

Para Irene Azevedo, consultora da DBM, as organizações estão mudando sua visão sobre o assunto. “A instituição escolhida para fazer o curso vai diferenciar o olhar diante do profissional”, garante. Segundo ela, o que conta é “a reputação que a instituição de ensino tem no mercado”.

As especialistas afirmam que é frequente perceber preconceito do próprio estudante de EAD, sigla para educação a distância. “Muitas vezes nós perguntamos por que escolheu fazer um curso a distância e o profissional apresenta justificativas, demonstrando insegurança com relação ao assunto. A postura deve ser contrária a essa – explicar a escolha, não justificá-la como se fosse algo errado”, diz Bruna. “Ao pensar se coloca ou não no currículo que o curso foi feito a distância, o profissional já demonstra preconceito com relação à própria formação, o que não deve acontecer”, afirma Irene.

Segundo Irene, quem faz um curso a distância demonstra que tem habilidades “interessantes” para o mercado. “Disciplina, responsabilidade, atração por novidades são características muito requeridas pelas empresas [e necessárias para fazer um curso a distância]”, explica.

O especialista em EAD, Celso Roberti, complementa: um profissional que consegue levar a sério e ter bons resultados com um curso desse tipo chega ainda mais preparado para o mercado de trabalho. “Durante o período de estudo o aluno tem diversas competências treinadas – disciplina, planejamento, proatividade, pesquisa”, afirma. “Se esse profissional precisar interagir com um par que trabalha na sede da organização em outro país, ele o fará com a maior facilidade e desenvoltura”, exemplifica.

Para Roberti, nada melhor que a percepção prática para descobrir se você tem “perfil” para estudar a distância. Ele indica a escolha de um curso livre, algo menos denso. “Sempre vale a pena tentar um curso de curta duração. Grandes universidades têm cursos de duas a três semanas, que são ótimos para entender a metodologia”, afirma.

Fonte: Portal Universidade

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Curso Superior de Tecnologia é válido como nível superior, sim!

Por Moacir Garcia

Recentemente li o artigo "Curso de tecnólogo em design gráfico é válido?", escrito por Guilherme Sebastiany, sócio-fundador do Blog Sebastiany.

Citarei abaixo apenas alguns trechos do referido artigo para que meus leitores entendam meu artigo.

“Muitas profissões reconhecidas e regulamentadas tem ‘versões técnicas’ com cursos superiores de 2 anos ou menos. Isso é fato. (grifo meu)

(...)

Mas um técnico em nutrição, não é um nutricionista, da mesma forma que um técnico em farmácia não é um farmacêutico e assim por diante. Isso não está em discussão, e um aluno que faz um curso técnico sabe que não obterá um diploma de bacharelado. Até aqui tudo bem? (grifo meu)

Estas formações existem tanto para atender as necessidades do mercado, quanto para oferecer ao aluno uma formação mais barata e rápida que agilize o seu ingresso no mercado de trabalho. Concorde ou não, essa é a realidade. (grifo meu)

Portanto, um curso de Tecnólogo em Design Gráfico é sim válido, para atender a essa demanda do mercado e dos alunos. Mas da mesma forma que os demais, é um curso que não forma um Designer Gráfico, e sim um Técnico em Design Gráfico.( grifo meu)

(...)

A questão é matemática, 4 anos é o dobro de 2. O dobro de experiência, o dobro do conteúdo, o dobro de estudos, o dobro de aprendizado. Se fossem a mesma coisa, não haveriam mais cursos de 4 anos, afinal, para que pagar o dobro se o resultado é ‘quase o mesmo’?. Quem escolhe um curso de 2 anos porque acha que é a mesma coisa que um de 4, está se enganando.”

Considero que o autor deste artigo foi infeliz ao afirmar que quem cursa GRADUAÇÃO TECNOLÓGICA é técnico. Quem cursa Tecnologia em Designer Gráfico é Tecnólogo e não técnico. Segundo ponto: TECNÓLOGO é profissional de nível superior, é GRADUADO, sim! Basta pesquisar um pouco e encontrará "n" pareceres e resoluções do Ministério da Educação (MEC) que versam sobre o assunto.

E mais. Se não sabe, geralmente quem opta por Curso Superior de Tecnologia é quem já está no mercado de trabalho, possui longa experiência profissional, no entanto, ainda não tem curso superior. E não por ser “uma formação mais barata e rápida”.

Além disso, o fato de passarem mais tempo num banco de “escola” não significa que os bacharéis aprendem mais. Vemos isso pelo resultado de provas em processos seletivos para empresas privadas e órgãos públicos.

Assim, muitos estudantes de profissões tradicionais (olha a “briga” para acabar com a prova da OAB) terminam seus cursos superiores sabendo pouco ou quase nada daquilo que estudaram nos primeiros períodos. No mais, grande parte daquilo que alegam ter estudado não têm aplicação prática no mercado de trabalho.

Já o tecnólogo não perde tempo com teorias, filosofias, etc. Parte logo para o conteúdo prático de sua profissão. Neste ínterim, já que o autor afirma que “a questão é matemática, 4 anos é o dobro de 2. O dobro de experiência, o dobro do conteúdo, o dobro de estudos, o dobro de aprendizado”, citarei como exemplo várias atividades executadas por bacharéis em administração: Gestão de Recursos Humanos, Marketing, Finanças, Logística, etc.

Se o tempo que se passa aprendendo certas matérias faz diferença, pois quem estudou mais tempo tem, em tese, o “dobro de experiência, o dobro do conteúdo, o dobro de estudos, o dobro de aprendizado”, posso afirmar, então, por exemplo, que enquanto o ADMINISTRADOR estuda no máximo 300 (trezentas) horas de Recursos Humanos (isso pode ser verificado pela grade curricular do curso de Administração), o TECNÓLOGO EM GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS (RH) tem pelo menos três vezes mais experiência, mais conteúdo, mais estudos, mais aprendizado que o bacharel em Administração, já que o profissional formado no Curso Superior de Tecnologia em Gestão de RH estuda em média 1.000 (mil) horas de matéria específica de Recursos Humanos. O restante da grade curricular do curso tecnológico é em matérias que permitem uma visão sistêmica das atividades da empresa. Logo, o TECNÓLOGO ESTÁ MUITO MELHOR PREPARADO PARA EXERCER A FUNÇÃO DE GESTOR DE RH.

Gostaria de deixar bem claro que o mercado de trabalho hoje é bem diferente daquele que tínhamos há 20, 30, 50 anos. Atualmente precisamos ser “especialistas” em nossas áreas de trabalho. O mercado não pode esperar 4, 5, 6 anos para que possa absorver um profissional, pois este só irá estudar as matérias práticas de sua profissão, na maioria dos cursos de bacharéis, nos quatro últimos períodos.

Por fim, o mercado não quer profissional “clínico geral”, que sabe um pouco de “cardiologia”, um pouco de “oftalmologia”, um pouco de... várias matérias, contudo não é “especialista” em nenhuma delas. O mercado quer o profissional que sabe resolver problemas para a empresa, para os clientes e para a sociedade. E sejamos sinceros, este profissional é o Tecnólogo.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Cursos tecnológicos crescem em todo o País

Começam a ganhar mais espaço os cursos de graduação na modalidade tecnológica. Recém divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), o Censo da Educação Superior 2009 apontou um crescimento de 26,1% no número de alunos matriculados na modalidade.

Em 2008, o País contava com 539 mil matrículas, número que subiu para 680 mil em 2009, aponta o MEC.

Em Maringá esse aumento de demanda também foi expressivo. O Centro Universitário de Maringá (Cesumar), instituição que oferece o maior número de cursos na modalidade tecnológica na região, 22 ao total, criou 12 novos cursos só este ano.

Com o foco no mercado de trabalho, os cursos superiores de tecnologia têm menor duração (entre 2 e 3 anos) e são mais voltados para uma determinada área de conhecimento. O Cesumar, por exemplo, diversifica a oferta com cursos que vão desde secretariado, passando por design de moda, logística e até construção de edifícios.

"São cursos que atendem as necessidades de mercado, que vão formar mão de obra qualificada e que as empresas da região estão em busca", avalia Wilson de Matos Filho, vice-reitor da instituição.

Entre os cursos tecnológicos com maior procura no Cesumar estão Gastronomia e Estética, que acaba de formar sua primeira turma.

A coordenadora Lilian Moraes explica que o perfil de alunos do curso é misto. "Temos pessoas que já estão no mercado e que buscam o diploma superior e também jovens que pretendem ingressar na área", afirma.

O curso prepara para a docência e consultoria, e o profissional sai com amplas possibilidades de inserção imediata no mercado.

Em entrevista ao site do MEC, o secretário nacional de educação profissional, Eliezer Pacheco, ressaltou a importância de se investir mais neste tipo de graduação. "O Brasil tem sede de profissionais qualificados para seguir o seu desenvolvimento. Esses cursos são uma alternativa excelente para a formação dos nossos jovens".

Segundo avaliação do Ministério da Educação, desde 2001, os cursos tecnológicos vêm conquistando espaço em um cenário que era dominado pelos bacharelados e licenciaturas (formatos clássicos de graduação).

Nesse período, o número de estudantes matriculados nesse nível de ensino passou de 69 mil para os atuais 680 mil, o que representa um aumento de 985%. A título de comparação, no mesmo período o número de estudantes em cursos de bacharelado cresceu 186%.

O secretário observa ainda que esse aumento da procura e da oferta de cursos superiores de tecnologia tem revelado uma "ruptura de padrões". Para Pacheco, "o mercado já não absorve os bacharéis e sente falta de um perfil mais técnico e tecnológico em seus profissionais".

Assim como os egressos de cursos de bacharelado e licenciatura, os tecnólogos recebem diploma de graduação e podem fazer cursos de especialização, de mestrado ou de doutorado e participar de concursos públicos. As informações são do Ministério da Educação, em sua página na internet.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Governo deixará de regular pós-graduação 'lato sensu'

Após 31 de julho, cursos não terão mais reconhecimento do MEC.

O Ministério da Educação publicou nesta quinta-feira, no Diário Oficial da União, as regras de transição para o fim do credenciamento de entidades não educacionais que oferecem cursos de especialização, como residências médicas de hospitais e MBAs de fundações. Na prática, a medida faz com que o governo deixe de regulamentar o setor de pós-graduação lato sensu.

Alunos que ingressarem até 31 de julho deste ano em cursos que já possuíam a chancela do MEC terão o reconhecimento do ministério em seus diplomas. Depois disso, o certificado será expedido apenas pela entidade mantenedora do curso. Os pedidos de novos credenciamentos foram suspensos.

Mesmo as pós-graduações lato sensu oferecidas por instituições de ensino (faculdades e universidades) deixarão de ter aval do ministério. Essas instituições, no entanto, ainda precisam do reconhecimento oficial para funcionar, pois as graduações de nível superior, assim como os programas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, continuam sob supervisão do ministério.

O presidente da Câmara de Ensino Superior, órgão deliberativo do Conselho Nacional de Educação (CNE), Paulo Speller, acredita que a medida não trará grande impacto para o setor. "Antes, o MEC tinha de avaliar as condições do local, o currículo. Agora serão cursos livres, ou seja, as entidades poderão continuar a oferecer as especializações, mas sem a necessidade de aprovação", explicou.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Participação de tecnólogos em concursos públicos pode ser garantida em lei

Geraldo Vinholi (PSDB) apresentou na Assembléia Legislativa [de São Paulo] o Projeto de Lei 18/2011, que assegura a participação em concursos públicos para cargos, empregos ou funções administrativas na esfera pública estadual direta ou indireta a todas as pessoas com formação em cursos superiores de tecnologia ou de curta duração, reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC).

Vinholi verificou que tecnólogos reclamam da impossibilidade em participar de concursos públicos de empresas estatais, que em seus editais não contemplam candidatos com essa formação.

Em sua justificativa, ressalta que o governo do Estado tem investido muito na ampliação de cursos superiores de tecnologia em vista da crescente demanda dessa mão de obra. Um exemplo disso é o Centro Paula Souza que administra 49 Faculdades de Tecnologia (Fatecs) que ministram 55 cursos de graduação tecnológica e que estão entre as melhores instituições de ensino superior do Estado, de acordo com o Índice Geral de Cursos do MEC. Lembra ainda que diversos cursos estão passando por uma atualização para se adequar ao Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia, também elaborado pelo MEC.

As empresas privadas seguem o caminho inverso, contratam tecnólogos para seu quadro de funcionários, em alguns casos, antes mesmo do término do curso.

Acredita-se que haja, por parte de algumas empresas estatais, certo tipo de preconceito, falta de conhecimento dos responsáveis pela elaboração dos editais, ou até mesmo para enquadrar os tecnólogos em categorias ainda não existentes.

Segundo o MEC, os cursos conhecidos como tecnólogos, desde que surgiram em 2000, cresceram 985%. Esse diploma dá ao estudante a formação em curso superior com certa especificidade, porém com os mesmos direitos que o bacharelado ou licenciatura.

"Este é um esforço que devemos fazer no sentido de incluir e oficializar o tecnólogo em empresas estatais, assim como fazem as empresas privadas absorvendo essa mão de obra qualificada e tão adequada às necessidades do mercado de trabalho atual", completa Vinholi.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Saiba qual o preço de um MBA barato no seu currículo

Ter um curso de MBA (Master Business Administration) no currículo já não é garantia de diferencial no mercado brasileiro. Embora não exista um levantamento preciso de quantas especializações do tipo existem no Brasil, já que os cursos se enquadram na categoria de pós-graduação lato sensu e, consequentemente, não são avaliados pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) do MEC (Ministério da Educação), a estimativa da Associação Nacional de MBA é que existam mais de nove mil cursos. Poucas escolas, no entanto, desfrutam de renome no mercado e as que têm esse reconhecimento costumam praticar preços mais elevados – superiores a R$ 20 mil.

Então, optar por um curso mais barato significa algum tipo de exclusão no mercado, certo? A resposta é não, mas também é sim. A consultora da DDI Consultores do Brasil, Priscila Giglio, ressalta que algumas escolas realmente têm um conceito melhor entre recrutadores, empresários e executivos, mas o que tem mais peso na análise de um profissional, efetivamente, é o equilíbrio entre vários fatores. “Percebemos que as empresas avaliam um conjunto entre a experiência, aptidões, habilidades e o que efetivamente foi assimilado do curso realizado”, explica.

Fabiana Nakazone, gerente da DM Recrutamento, Seleção e Desenvolvimento de Executivos, concorda. A consultora lembra que muitas vezes um curso pouco renomado de graduação pode ser sucedido de outro MBA reconhecido ou vice-versa. Por isso, na avaliação da profissional, uma marca reconhecida da instituição onde o curso foi realizado potencializa o currículo de um candidato, mas está longe de ser fundamental em uma seleção. “O ideal mesmo é uma formação sólida, independentemente da instituição escolhida. O profissional precisa mostrar a aplicação prática de seus conhecimentos, como se envolveu com o aprendizado, que tipo de experiência agregou a ele, e é isso que terá o maior peso em sua avaliação”, analisa.

Atualmente, não é difícil encontrar diversas modalidades de cursos de especialização e MBAs mais acessíveis e, entre elas, estão cursos online, presenciais, mistos, apenas aos finais de semana, de um a dois anos, intensivos e com ou sem avaliações periódicas. O MBA, sigla derivada dos Estados Unidos, é um especialista em administração de negócios, portanto, está sob a esfera desta opção as áreas de marketing, finanças, RH (Recursos Humanos), contabilidade, projetos, entre outras ciências ligadas à gestão. Trata-se, portanto, de um curso de especialização como qualquer outro, mas voltado para a administração.

Priscila Giglio, da DDI, analisa que mais importante do que a própria escolha da instituição na hora de cursar um MBA é que o profissional que busca determinada especialização tenha os seus objetivos bastante claros. “É necessário que o aluno do curso saiba qual caminho ele pretende traçar, quais as metas a serem atingidas com o estudo e que tipos de informações são mais valiosas em sua realidade ou perspectiva profissional. Por isso, é importante se informar muito e avaliar com cautela a opção de fazer um MBA, e que tipo de instituição ou área seguir”. A consultora acrescenta que muitas vezes os profissionais acabam optando pela especialização antes mesmo de frequentar cursos de inglês ou de contar com o amadurecimento necessário para absorver as aulas de forma adequada, e nestas situações, a marca da instituição valerá muito pouco no final.

Fabiana, da DMRH, explica que a valorização de algumas instituições no País se dá pelo fato de a média de seus profissionais saírem com bagagem de conhecimento superior e desempenho satisfatório no mercado, mas que esse diagnóstico não limita a inserção de profissionais vindos de instituições menos renomadas ou mais novas. “É claro que existe a percepção que cursos muito acessíveis não conseguem alcançar níveis de excelência, em função do alto custo demandado com bibliotecas, estrutura, quadro docente e material didático, mas não se deve generalizar. É possível que com ferramentas web se reduza custos e profissionais consigam absorver grande carga de conhecimento, mesmo em cursos mais acessíveis. Não é comum, mas cada caso merece uma análise detalhada”, comenta a consultora.

Fonte: InfoMoney

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Cursos tecnológicos são tendência de ensino superior

Ao contrário do que possa parecer, os cursos tecnológicos [cujo profissional recebe o título de Tecnólogo] em nada se assemelham aos cursos técnicos. Por lei, o estudo é de nível superior e em 3 anos promete formar especialistas de diversas áreas. Atualmente, esse tipo de ensino é o que mais cresce no país, provando já ser uma tendência nacional de formação.

De acordo com dados divulgados pelo Censo Superior de Educação 2009, o aumento de matrículas para esse tipo de graduação foi de 26,1% comparado ao ano de 2008, que contava com 539 mil matrículas. Além disso, desde 2001, os cursos tecnológicos têm conquistado um espaço antes dominado pelo bacharelado. De 69 mil matriculados para formação de tecnólogo, no ano de 2001, os números aumentaram para os atuais 680 mil, representando um aumento de 985%. Em contrapartida, no mesmo período o aumento foi de 186% para estudantes de bacharelado.

Para o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Eliezer Pacheco, a procura por cursos tecnológicos de nível superior não é somente uma tendência nacional, mas acima de tudo uma necessidade do mercado de trabalho. "O rápido desenvolvimento do Brasil exige profissionais com formação mais focada e, acima de tudo, rápida. Não se pode mais esperar de 5 a 6 anos para um estudante se formar na faculdade", disse.

Pacheco afirmou ainda que os tecnólogos não são menos preparados que os bacharéis, e sim mais focados. "Um aluno que faz bacharelado em Engenharia Civil, por exemplo, passa 4 anos estudando teorias e áreas da ciência que ele não vai usar na profissão. Já o tecnólogo, com formação em construção de estrada, passa 3 anos com o estudo focado somente nisso. Ao ir para o mercado de trabalho nessa área, o tecnólogo vai acabar tendo um conhecimento muito mais aprofundando na construção de pontes que o engenheiro civil".

Nícollas Silva, 20 anos, completou o Ensino Médio em 2008 e iniciou o curso de Ciência da Computação na Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec). "Gosto do ensino pelo foco e pela boa qualidade das aulas. Mas admito que agora estou em dúvida entre o curso e o bacharelado. Meu maior medo é me formar tecnólogo e depois decidir que é preciso fazer faculdade, pela possível não aceitação no mercado. Eu chegaria aos 29 anos sem ter alcançado minhas metas", disse.

Fabiano Caxito, professor especialista em tecnologia, afirmou que os anseios de Nícollas fazem sentido, pois não são todos os nichos que aceitam bem os tecnólogos. Para se aprofundar mais no tema, o professor realizou uma pesquisa em 350 empresas de São Paulo para investigar a aceitação dos cursos no mercado de trabalho. Segundo constatou, 48,73% das empresas aceitam o tecnólogo da mesma forma que o bacharel, 11,83% não aceitam e 38,87% dizem depender. Esse "depende", como observou o especialista, pode estar ligado a dois fatores: experiência profissional do candidato, que chega a aumentar 72,1% de aceitação; e pós-graduação no currículo, que sobe para 64,5% de aprovação por parte dos empregadores.

Apesar das estatísticas favoráveis, Caxito salientou que ainda não se pode afirmar que os cursos tecnológicos são plenamente aceitos. "Em algumas áreas, como a de gestão, os conselhos profissionais - em especial o de Administração - limitam a atuação do tecnólogo. Na área de engenharia e arquitetura, os conselhos reconhecem o tecnólogo e definem as atividades que podem ser exercidas. Já em tecnologia da informação, hotelaria, turismo e culinária os formandos são plenamente reconhecidos e até disputados pelo mercado de trabalho. O mesmo acontece com os cursos voltados à indústria e a produção".

Caxito acredita que com o aumento anual do número de matrículas em cursos tecnológicos, o mercado vai precisar se adaptar cada vez mais à nova tendência de formação profissional. "Gradativamente, com a elevação do número de formados e com um maior conhecimento do real significado dos cursos tecnológicos, as áreas profissionais vão aceitando mais facilmente. Em geral, empresas que buscam competências específicas são mais abertas aos graduados nesses cursos", disse.

Fonte: Terra