domingo, 26 de junho de 2011

Você estudaria a distância?

Veja opiniões de professores, estudantes e recrutadores e descubra seus pontos positivos e negativos da modalidade de ensino que cresce a passos largos no Brasil

Por Fábio Bandeira de Mello, Revista Administradores

O formato é bem antigo, mas ele voltou a ganhar notoriedade na década de 90, com o avanço da tecnologia e, principalmente, devido ao alcance da internet pela população. Ainda assim, ele está longe de ser unanimidade no país. Quando o assunto é ensino a distância, existem tanto as pessoas que são favoráveis e entusiastas desse modelo, quanto aquelas que são categoricamente contra. O fato é que enquanto alguns observam uma oportunidade de capacitação com fácil acesso, comodidade e preços mais baixos, outros questionam qual é o verdadeiro aproveitamento acadêmico do estudante nessa modalidade.


Em meio a essa falta de consenso, o Brasil vem registrando um frenético aumento na quantidade de alunos e de cursos a distância pela internet. Entre 2002 e 2009, somente a graduação saltou de 46 cursos para 844. Segundo informações do Ministério da Educação (MEC), em 2009, mais de 1 milhão de pessoas estudaram em programas oficiais nesse modelo. Já os números totais, que abrangem e-learning de empresas, cursos abertos livres e cursos oficiais, apontam mais de três milhões de estudantes no país.
 
 
Dentro do contexto
Quem está inserido nesse contexto é o estudante de Administração Edvan Pereira dos Santos, que acredita nessa modalidade de ensino. "Os cursos são perfeitos para pessoas que, assim como eu, não têm tempo disponível para frequentar um curso presencial. Hoje sou casado, tenho filhos e trabalho, isso é o maior motivo de ter escolhido essa modalidade. As aulas ficam gravadas e posso revê-las quantas vezes for possível. Não tenho motivos para reclamar", afirma.
 
 
Na visão de Edvan, muitos começam e desistem por desinformação ou ideia pré-concebida errada. "Ocorre que quem não tem disciplina para desenvolver as atividades ou esquece de ler as apostilas, depois não consegue acompanhar o curso e acaba falhando. Na verdade, alguns sentem dificuldade quando chegam com uma ideia de que os cursos a distância são fáceis ou que não são reconhecidos e de baixa qualidade", comenta o estudante em Administração da Unip.
 
 
Já Nádila dos Santos Pereira, graduada em Administração pela Unigran e secretária executiva de uma entidade privada no Estado de Mato Grosso do Sul, compartilha que esta modalidade é até mais difícil do que a presencial, pois há pouca interação entre os colegas, o que aumenta a busca individual por informações.
 
 
Mas o administrador de Empresas e eletricitário Luciano Pereira, tem uma opinião completamente diferente e identifica a falta de regras mais rigorosas na dinâmica de ensino por parte de diversos cursos a distância. "A presença de um professor é extremamente importante para a formação de um profissional. Ter algumas aulas presenciais em dias alternados da semana ou mês não capacita um aluno a entender as nuances de matérias complexas. Os critérios de avaliação também são muito flexíveis, podendo ser feitas várias provas até a aprovação do aluno".

Pensando na carreira
A verdade é que ter uma formação acadêmica nunca foi tão valorizado. De acordo com o levantamento do IBGE em 2010, realizada nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil, a taxa de desemprego entre os que possuem ensino superior ficou em 3,1%, o menor índice em oito anos. Esse fato, sem dúvida, contribuiu para elevar a procura por uma capacitação e aumentar a quantidade de cursos a distância. Porém, a preocupação está na abertura de cursos sem qualquer critério de ensino ou preocupação com a qualidade.

Para o professor David Forli Inocente - coordenador do MBA Gestão Estratégica da EAD USP e que também faz parte da equipe de avaliadores do Ministério da Educação para Metodologias EAD - falta uma análise e fiscalização mais intensa por parte do órgão. "Creio que o MEC deve ampliar em muito a supervisão das instituições, acompanhar seus indicadores essenciais tais como a relação de alunos por tutor. Há instituições que trabalham com um tutor para cada 200 ou 300 alunos, eu já vi até 500. Fica óbvio que não se pode garantir qualidade com esse volume de alunos", avalia.

David considera ainda que há muita liberdade nos métodos de ensino. "Apesar de ter seu lado positivo, o MEC deveria avaliar a consistência metodológica das propostas pedagógicas das instituições, ou seja, qual a rotina mínima de atividades acadêmicas exigidas. Desse modo, a instituição se obrigaria a pensar nisso. O que vemos é que até há entrega de conteúdo, mas existem poucos instrumentos de medição do aprendizado.
 
 
Para Luciano Pereira, não adianta aumentar o número de alunos em cursos superiores simplesmente elevando o número de instituições a distância. "O que se deve primar é a qualidade do ensino, pois não basta aumentar o número de profissionais no mercado de trabalho se esses profissionais são formados em instituições desqualificadas e sem corpo docente capaz", indica.
 
 
A opinião também é compartilhada pelo próprio Ministro da Educação, Fernando Haddad. Para o ministro, o crescimento na quantidade de cursos não pode ser feito de qualquer maneira. "Há países em que 50% das matrículas são feitas em cursos a distância. No Brasil, esse número equivale a 14%. Então, nós temos espaço para expandir, mas expandir com critérios de qualidade", revelou Haddad na divulgação do relatório do MEC esse ano.

O ministro afirmou ainda que o estudante deve estar atento às instituições que oferecem essa modalidade. "É necessário checar a qualidade dos cursos e a estrutura das salas usadas para as aulas presenciais, pois as leis brasileiras exigem que pelo menos uma parte do período de aulas seja dada presencialmente", afirma.

E como fica o mercado?
Um dos principais questionamentos sobre essa modalidade de ensino é a falta de reconhecimento das empresas em relação à formação em cursos via EAD. Só que essa desconfiança parece que vem sendo alterada por quem está contratando.

"Antes existia certo preconceito diante deste modelo de ensino, já que grande parte do mercado ainda era bastante conservador, porém com o inegável crescimento desta modalidade, o mercado acabou se rendendo", declara Viviane Prado, gerente de recrutamento da ALLIS S.A, empresa especializada em selecionar profissionais.

Segundo o professor David Forli, realmente não há uma reação contrária ao formato. "Tendo em vista os headhunters com quem mantenho contato, não há um pré-conceito declarado dos contratadores por conta da modalidade, muitas vezes esse pré-conceito se dá em razão da reputação da instituição". Para o professor, se existir algum tipo de desconfiança nesta modalidade, ele é fruto do desconhecimento. "O novo, em geral, causa essa reação ao estabelecido. Lembre-se que a gravadora Decca (que já não existe) disse aos Beatles, 'não gostamos de seu som e a música de guitarra está acabando'. Ao ser apresentada aos computadores portáteis, a IBM disse: 'quem vai querer ter um computador em casa?'", ressalta o professor.

Alerta dos especialistas
Para quem pretende ingressar em cursos via EAD, professores e especialistas alertam que é preciso fazer uma análise anterior da instituição e avaliar as críticas positivas e negativas que surgem dela. Além disso, vale conhecer a grade curricular dos cursos, o corpo docente, as parcerias que a organização firma, e, principalmente, se a instituição é reconhecida pelo MEC.

Hoje, inclusive, diversas universidades públicas e renomadas instituições particulares já abriram ou tem previsão em algum curso via EAD, o que aumenta a credibilidade do formato de ensino. Para Jucimara Roesler, diretora-geral e professora da UnisulVirtual - uma das instituições pioneiras no mercado de ensino a distância e que já formou mais de 7,5 mil alunos - apesar da escolha da instituição ser importantíssima, o interesse do aluno em realmente querer aprender é o grande diferencial.

"As exigências de autonomia, disciplina, organização a esse aluno são bem maiores. O aluno é livre para escolher seu método, ambiente de estudo e seus horários. Porém, o sucesso de seu aprendizado exige que ele leia, em média, 1.200 páginas por semestre. Assim, ele precisa ser um exímio gerente do seu tempo. Todas essas características integram o perfil mais almejado pelo mercado e esse aluno já começa a ser reconhecido pelas empresas", ressalta a professora.

Enquete
Você faria um curso a distância (EAD)?
27.53% - Sim. Faria uma graduação.
19.45% - Sim. Um curso de curta duração.
19.34% - Sim. Um MBA ou uma Pós-Graduação.
19.25% - Não. Acho que o mercado não valoriza diplomas com Ensino a Distância
8.65% - Não. Acho que não tem interação.
5.78% - Não. Falta informação sobre a qualidade dos cursos.

Você sabia?
O aluno de EAD pode economizar 68%, em relação ao mesmo curso oferecido na modalidade presencial.
O curso de Administração é o segundo mais disputado na modalidade EAD, atrás apenas de Pedagogia.

EAD no Brasil
- 1939
O Instituto Rádio Técnico Monitor foi a primeira instituição via EAD no país.
- A partir de 1970
Telecursos, com aulas via satélite, eram oferecidos por organizações não governamentais e fundações privadas.
- 1992
Surge a Universidade Aberta de Brasília, voltada para o ensino superior, a educação continuada e reciclagem profissional.
- A partir de 1996
O EAD é estabelecido pela Lei de Diretrizes e bases da Educação Nacional. O formato ganha força com a internet.
- 2011
Maior quantidade de alunos na história estudam através dessa modalidade. Mais de três milhões de estudantes, sendo um milhão em cursos oficiais credenciados pelo MEC.

domingo, 19 de junho de 2011

Tabu organizacional: dar e receber feedback

Por Caio Lauer
Historicamente, o feedback foi mistificado como algo aversivo do qual vale a pena fugir. Esta é uma prática de extrema importância dentro da atividade profissional, pois é vital para o processo de desenvolvimento e treinamento dos colaboradores de uma organização. O intuito desta prática é levantar problemas e isto, de certa forma, distancia a participação dos envolvidos. Muitos não gostam de dar e receber feedback porque pode gerar conflitos na relação profissional, porém ignorar o fato é a pior alternativa.

Um dos maiores problemas das empresas é a falta de comunicação. O feedback é considerado um canal de diálogo, pois, por meio dele, é possível transmitir as expectativas de resultados e atitudes entre líder e subordinado. Um grande número de líderes optam por não dar feedback, preferem o silêncio a passar por uma situação na qual não estão preparados - as corporações ainda investem pouco no preparo para a aplicação do feedback. “O líder, ao se omitir, não está ajudando o subordinado. Ele se mantém em uma zona de conforto, mas não ajuda sua equipe a crescer”, conta Márcia Luz, coach executiva e pessoal.

A ansiedade em receber o feedback é um fator que pode decepcionar o profissional. O momento que nunca chega de um retorno do líder em relação às atividades do dia a dia pode frustrar. Outro ponto importante é a motivação, pois a falta de retorno e reconhecimento das tarefas faz com que a pessoa se sinta isolada e sem importância no grupo. “A expectativa de qualquer um após uma prova é a nota, ou seja, o feedback. É necessário que tenhamos um monitoramento constante do processo de desenvolvimento para sabermos se estamos atingindo o resultado esperado. O feedback constante é essencial para o acompanhamento do crescimento profissional”, opina Bernardo Leite, psicólogo com vasta experiência em administração de empresas. Segundo Bernardo, não trabalhamos apenas por salário, mas também por reconhecimento. “A falta de feedback causa uma desmotivação prejudicial à evolução profissional”, atesta.

Um feedback bem aplicado transforma comportamentos e posturas, e faz com que o profissional enxergue todas suas competências e capacidades. Na medida em que a companhia estabelece uma política de reorientação para o profissional, as pessoas se posicionam de maneira muito mais objetiva a fim de obter os resultados exigidos pela organização. O alinhamento dos objetivos é fundamental para a aplicação de um feedback qualitativo. Confira algumas dicas:

-foque no comportamento e não na pessoa;
-seja o mais específico possível, procurando citar exemplos;
-procure saber se o momento emocional é realmente adequado;
-fale de aspectos que podem ser modificados;
-não dê recados, fale sempre em seu próprio nome;
-assegure-se se a pessoa está entendendo perfeitamente a mensagem;
-use o caminho da verdade e da motivação.

Desenvolvimento do feedback

Nenhum profissional nasce sabendo e é totalmente possível desenvolver a habilidade para dar o feedback. O líder precisa aprimorar suas habilidades de comunicação, como ouvir mais os subordinados e se expressar de forma clara e objetiva. Para a aplicação de um feedback de qualidade é necessário estar bem sintonizado com o processo das ações diárias a fim de fazer o melhor acompanhamento possível. De acordo com Bernardo Leite, o líder deve orientar sua equipe para o melhor caminho para os resultados, e para tal, precisa ter total noção do que a empresa espera dele como profissional e do objetivo do negócio.

“Um feedback bem dado pode modificar o destino profissional de alguém porque, de repente, a pessoa se dá conta de habilidades e competências que não sabia. Ele também fortalece a autoestima e, com isso, os resultados aparecem”, afirma Márcia Luz. Para ela, receber o reconhecimento e a gratidão de uma chefia fica na memória e no coração das pessoas por muitos anos.

FonteCATHO online

terça-feira, 14 de junho de 2011

Você está feliz no trabalho? Saiba quanto o clima organizacional influencia na sua produtividade

Pesquisa mostra que o bom ambiente de trabalho é mais importante para 52% dos entrevistados, ficando atrás de oportunidades de promoção e salário.

Por Infomoney

Trabalhar ao lado de pessoas positivas e animadas em um clima amistoso e tranquilo é o desejo de boa parte dos profissionais. Mais que bons salários e benefícios, o bom clima organizacional é um dos fatores que mais elevam a motivação e, por consequência, a produtividade.

Uma pesquisa realizada pela Trabalhando.com mostra que o bom ambiente de trabalho é mais importante para 52% dos entrevistados, ficando à frente de oportunidades de promoção (22%) e salário (14%). Apesar disso, dependendo do perfil do profissional, não é fácil cultivar um bom clima no trabalho. Mas, com práticas simples e persistência, é possível.

O ambiente organizacional influencia o comportamento dos profissionais, mas eles também são responsáveis pelo ritmo desse ambiente. “Os dois fatores são verdadeiros. Toda empresa tem um ambiente estabelecido, que pode gerar insatisfação se ele não se encaixar ao perfil do profissional, mas também é de responsabilidade do colaborador mudar isso”, afirma a gerente de Marketing do Monster Brasil, empresa de recrutamento on-line, Andreza Santana.

Para a consultora em etiqueta corporativa, marketing pessoal e comportamento em mídias sociais, Ligia Marques, em um bom ambiente de trabalho os profissionais têm a capacidade de lidar com os contratempos de forma a não sobrecarregar o clima. Esse é o primeiro passo para cultivar um bom ambiente de trabalho.

Ambiente favorável

Ter a percepção de que também se é responsável pelo clima da área na qual atua pode ajudar a melhorar o ambiente organizacional. Adotando comportamentos positivos (e realistas) e reduzindo aqueles que minam o bom clima, os profissionais conseguem tapar alguns pontos escuros e opressores no trabalho. “Sempre tem aquele profissional que parece que gosta de cultivar um clima negativo”, alerta Andreza. Afastar-se desse ponto pode ser a medida imediata a ser adotada. Por isso, evite entrar em fofocas e em movimentos de boicote seja ao líder seja a algum colega.

Outros comportamentos que ajudam a manter um clima pesado advêm da insatisfação. “O funcionário que não está satisfeito tende a ter um rendimento ruim no trabalho e isso impacta no ambiente organizacional”, considera Andreza. Dessa forma, tente equilibrar o seu perfil com o da empresa, para que não haja problemas depois. Se essa identificação não for possível antes de iniciar o trabalho, preste atenção em você.

As especialistas ressaltam que os profissionais tendem a culpar a empresa, o chefe e os colegas pelo clima pesado e estressante. Mas não é bem assim. A mudança deve partir de cada um. E a partir daí, tudo em volta tende a mudar. “O problema muitas vezes está no próprio funcionário. Nessa hora, é preciso parar e pensar qual é o problema”, afirma Andreza.

“Lembrando que suas atitudes formam a sua boa imagem profissional e que hoje 85% das suas chances são pautadas nessa boa qualidade de relacionamento com colegas, colocar-se no lugar dos outros e não exagerar nas atitudes são dicas gerais que funcionam sempre”, afirma Ligia. Ela explica que o bom humor, a honestidade, o respeito à hierarquia, a educação e a ética são as bases para um bom clima.

O líder como semeador

Quem conduz a equipe não pode ficar alheio a essas questões. As especialistas afirmam que embora não seja o único fator que favorece ou desfavorece um clima agradável, é o comportamento do líder que muitas vezes condiciona o clima organizacional. “A primeira pessoa que dita o comportamento da equipe é o líder. Ele tem essa responsabilidade”, ressalta Andreza, da Monster.

Por isso, um gestor que cultiva comportamentos negativos só piora o ambiente. E ainda que ele cultive atitudes positivas, alguns pontos específicos ajudam a minar o bom clima. “O gestor tem de ter o bom senso de entender o que é prioridade e qual é o talento de cada um. Se um profissional é subaproveitado, ele tende a ter atitudes negativas, que podem se espalhar para os demais colegas”, afirma a especialista.

Claro que, como em qualquer empresa, momentos ruins aparecerão, seja pelos resultados baixos, seja pelo fim de algum contrato importante, seja pela meta não cumprida. Cultivar atitudes positivas não é tentar criar um “mar de rosas” no mundo corporativo. É entender que problemas existem e vão existir sempre, mas é possível não ser engolido por eles. E ainda que no fim os projetos não saiam do jeito que se planejava, aprender com os erros e dar um passo mais eficiente é a melhor maneira de manter um clima agradável e sustentar uma carreira crescente, segundo Ligia. “Aqueles que conseguem enxergar alguma deficiência em termos comportamentais e buscam ajuda e se aperfeiçoam estão investindo na carreira de uma maneira eficiente”.

sábado, 4 de junho de 2011

Melhore o desempenho escolar melhorando a memória

A neurociência tem muito a contribuir para a educação e muito tem sido descoberto nos últimos anos. De acordo com um cientista ganhador do prêmio Nobel, Eric Kandel, “Aprendizagem é como nós adquirimos informação, e memória é como nós armazenamos essa informação. Educação é sobre melhorar a aprendizagem, e neurociência é sobre tentar entender como a aprendizagem e a memória ocorrem. Memória é a cola que liga toda a nossa vida mental.”

Uma habilidade muito relevante para a sala de aula é a memória de trabalho, que representa a habilidade cognitiva de lidar com vários pedaços de informação simultaneamente, como somar números ou escolher palavras que rimam. A memória de trabalho é o alicerce da aprendizagem, pois determina a capacidade de processar informação, seguir instruções e acompanhar as atividades em sala de aula. Segundo pesquisadores, ela prediz o desempenho escolar de forma muito mais robusta do que o QI, e é menos influenciada pelo nível socioeconômico.

As habilidades de memória de trabalho se desenvolvem ao longo da infância, atingindo níveis adultos por volta dos 16 anos. “Mas em qualquer idade, existe uma faixa muito ampla”, de acordo com a pesquisadora Tracy Alloway, da Universidade de Stirling, no Reino Unido. Suas pesquisas indicam que num grupo de crianças com 10 anos de idade, algumas estão com habilidades parecidas com crianças de 5 anos e outras com as de 15 anos de idade.

Mesmo no contexto de crianças com necessidades especiais de aprendizado esse assunto é importante. Crianças com TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade), dificuldade de aprendizado de leitura ou matemática, e transtornos de autismo compartilham uma fraqueza generalizada em memória de trabalho. Mesmo neste grupo, aquelas crianças que têm a memória de trabalho mais intacta tendem a ter melhor desempenho acadêmico.

Uma outra linha de pesquisa, desenvolvida por Kirby Deater-Deckard, professor de psicologia na Viginia Tech, nos EUA, analisa o papel da família no desenvolvimento da memória de trabalho. Crianças de lares caóticos, caracterizados por barulho, desorganização e horários erráticos, têm pior desempenho em tarefas de memória de trabalho, o que está relacionado a dificuldades escolares, do que crianças de lares menos caóticos.

A memória de trabalho não melhora espontaneamente em crianças com dificuldades escolares, mas pode responder a intervenção. Um estudo recente demonstrou que um programa de treinamento usando jogos de computador específicos melhorou a memória de trabalho, o QI, e resultados na aprendizagem de forma muito mais significativa do que o suporte educacional tradicional. E um programa similar obteve ganhos substanciais entre crianças com dislexia e autismo.

Pesquisas recentes têm mostrado que o cérebro utiliza um processo neuroquímico muito complexo para converter memória de curto prazo, como a memória de trabalho, em memória de longo prazo e que algumas áreas o cérebro, como o hipocampo tem papel crucial nesse processo. Basicamente, esse processo consiste em ativar certos genes para criar novas conexões entre os neurônios e, pela forma com que foi projetado, apenas as coisas significativas, prazerosas e importantes são lembradas (veja também o artigo Como nossa memória funciona). Portanto, podemos dizer que a função da educação é moldar o cérebro e isto é o que ocorre no cérebro dos estudantes quando o educador é bem sucedido.

FonteCérebro Melhor