domingo, 19 de junho de 2011

Tabu organizacional: dar e receber feedback

Por Caio Lauer
Historicamente, o feedback foi mistificado como algo aversivo do qual vale a pena fugir. Esta é uma prática de extrema importância dentro da atividade profissional, pois é vital para o processo de desenvolvimento e treinamento dos colaboradores de uma organização. O intuito desta prática é levantar problemas e isto, de certa forma, distancia a participação dos envolvidos. Muitos não gostam de dar e receber feedback porque pode gerar conflitos na relação profissional, porém ignorar o fato é a pior alternativa.

Um dos maiores problemas das empresas é a falta de comunicação. O feedback é considerado um canal de diálogo, pois, por meio dele, é possível transmitir as expectativas de resultados e atitudes entre líder e subordinado. Um grande número de líderes optam por não dar feedback, preferem o silêncio a passar por uma situação na qual não estão preparados - as corporações ainda investem pouco no preparo para a aplicação do feedback. “O líder, ao se omitir, não está ajudando o subordinado. Ele se mantém em uma zona de conforto, mas não ajuda sua equipe a crescer”, conta Márcia Luz, coach executiva e pessoal.

A ansiedade em receber o feedback é um fator que pode decepcionar o profissional. O momento que nunca chega de um retorno do líder em relação às atividades do dia a dia pode frustrar. Outro ponto importante é a motivação, pois a falta de retorno e reconhecimento das tarefas faz com que a pessoa se sinta isolada e sem importância no grupo. “A expectativa de qualquer um após uma prova é a nota, ou seja, o feedback. É necessário que tenhamos um monitoramento constante do processo de desenvolvimento para sabermos se estamos atingindo o resultado esperado. O feedback constante é essencial para o acompanhamento do crescimento profissional”, opina Bernardo Leite, psicólogo com vasta experiência em administração de empresas. Segundo Bernardo, não trabalhamos apenas por salário, mas também por reconhecimento. “A falta de feedback causa uma desmotivação prejudicial à evolução profissional”, atesta.

Um feedback bem aplicado transforma comportamentos e posturas, e faz com que o profissional enxergue todas suas competências e capacidades. Na medida em que a companhia estabelece uma política de reorientação para o profissional, as pessoas se posicionam de maneira muito mais objetiva a fim de obter os resultados exigidos pela organização. O alinhamento dos objetivos é fundamental para a aplicação de um feedback qualitativo. Confira algumas dicas:

-foque no comportamento e não na pessoa;
-seja o mais específico possível, procurando citar exemplos;
-procure saber se o momento emocional é realmente adequado;
-fale de aspectos que podem ser modificados;
-não dê recados, fale sempre em seu próprio nome;
-assegure-se se a pessoa está entendendo perfeitamente a mensagem;
-use o caminho da verdade e da motivação.

Desenvolvimento do feedback

Nenhum profissional nasce sabendo e é totalmente possível desenvolver a habilidade para dar o feedback. O líder precisa aprimorar suas habilidades de comunicação, como ouvir mais os subordinados e se expressar de forma clara e objetiva. Para a aplicação de um feedback de qualidade é necessário estar bem sintonizado com o processo das ações diárias a fim de fazer o melhor acompanhamento possível. De acordo com Bernardo Leite, o líder deve orientar sua equipe para o melhor caminho para os resultados, e para tal, precisa ter total noção do que a empresa espera dele como profissional e do objetivo do negócio.

“Um feedback bem dado pode modificar o destino profissional de alguém porque, de repente, a pessoa se dá conta de habilidades e competências que não sabia. Ele também fortalece a autoestima e, com isso, os resultados aparecem”, afirma Márcia Luz. Para ela, receber o reconhecimento e a gratidão de uma chefia fica na memória e no coração das pessoas por muitos anos.

FonteCATHO online

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