quinta-feira, 8 de março de 2012

Mercado de trabalho sob ameaça de desaquecimento

Por Ana Carolina Cortez*


O desempenho mais fraco da economia brasileira em 2011 surpreendeu o mercado e colocou em xeque a real capacidade de o país gerar postos de trabalho este ano. O crescimento de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB), bem abaixo dos 7,5% registrados em 2010, mostra uma clara desaceleração, puxada principalmente pelo setor industrial. A tendência é que esse cenário afete o mercado de trabalho, sinalizando a necessidade de as empresas investirem no ganho de produtividade e na retenção dos melhores profissionais. 

“Tendo em vista o arrefecimento econômico, já nos primeiros meses deste ano as empresas iniciaram um ciclo de renovação da mão de obra, com o intuito de elevar a qualidade do trabalho e o desempenho dos negócios”, analisa Fernando Montero da Costa, diretor de Operações da Human Brasil, consultoria de recursos humanos. “Esse movimento foi responsável por mais da metade das demissões realizadas no mercado em janeiro e fevereiro de 2012, em especial no setor industrial”, calcula. 

Outro ponto que requer mais atenção das empresas este ano é a manutenção de um mercado externo estagnado. “O Brasil ganhou destaque lá fora, o que faz com que as multinacionais contem com a filial no país para fechar as contas no azul. Isso afeta o setor produtivo nacional, como o automotivo, que acaba cortando gastos com folha de pagamento para diluir custos”, conta. 

Economistas afirmam que não há motivos para grandes preocupações, mas o mercado deve se preparar para resultados menos robustos este ano. “Estamos bem distantes de um cenário de crise, mas a euforia do pleno emprego não deve se repetir em 2012”, pondera o economista Ernesto Lozardo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). 

Indicadores de janeiro deste ano apontam essa tendência. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no primeiro mês de 2012 o nível de desemprego subiu para 5,5%, após atingir 4,7% em dezembro de 2011. Lozardo calcula, inclusive, que o ano pode encerrar com uma taxa de desocupação bem superior, de até 6,7% - e uma expansão do PIB próxima a do ano passado, de até 3%. 

Isso porque o setor industrial, responsável por grande parte dos empregos gerados no país, enfrenta um de seus piores momentos. Somente a indústria de transformação perdeu mais de 146 mil postos em 2011, de acordo com dados o Ministério do Trabalho. 

Na tentativa de conter a queda, o governo anunciou que tomará uma série de medidas para amenizar esse cenário e reduzir custos para o setor produtivo. Dentre as ações propostas está o aumento da oferta de crédito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o aumento da taxa de investimentos e, possivelmente, a retomada do ciclo de redução dos juros básicos da economia (Selic). A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem, inclusive, que o Planalto está preparando um projeto de desoneração tributária para reduzir os custos das empresas. 

Com isso, a expectativa é que a produção industrial se recupere ao longo do ano e impulsione a retomada das contratações. “Se colocar essas ações em prática rapidamente, o governo incentivará a formalização do mercado e poderá conter a contaminação do arrefecimento econômico na folha de pagamento das empresas”, aponta o economista Heron do Carmo, da Universidade de São Paulo (USP). 

A desaceleração do mercado de trabalho, contudo, não atinge só a indústria. Em 2011, o país gerou 1,9 milhão de vagas, número 23% inferior ao registrado em 2010, quando foram criados 2,54 milhões de postos. De acordo com projeções Human Brasil, em 2012 a geração de emprego deve se manter em 2 milhões. “O aquecimento do consumo deve puxar setores que ainda estão muito bem na economia, como construção civil, comércio e serviços, o que compensará eventuais perdas na indústria”, analisa Montero da Costa. 

O rendimento médio do trabalhador e o provável aumento da oferta de crédito com a redução dos juros básicos fomentarão o poder de consumo do brasileiro. Além disso, o salário mínimo pode subir até 13,5%, reajustado pelo PIB de dois anos atrás (2010) e a inflação de 2011 (6,5%). “O ano de 2012 começou mais fraco para o mercado de trabalho e apontou uma estagnação da demanda, medida pela baixa venda de automóveis e imóveis. Entretanto, a tendência é que a economia volte a crescer no segundo semestre e estimule a geração de vagas”, diz Carmo. 

*colaboraram Anderson Silva e Thalita Battistin 

Um comentário:

  1. Olá Moacir!
    Me orgulho em ser Tecnóloga, me formei em 2007 e no primeiro ano senti um pouco de dificuldades por causa do preconceito, mas de uns 2 anos para cá não mais.

    Inclusive, recentemente iniciei um projeto autônomo para uma consultoria muito respeitada daqui da Baixada Santista e o interesse se deu também pela minha formação focada em RH, pelo fato de ser tecnóloga.

    Hoje tem me aberto portas e morro de orgulho e de felicidade por isto.

    O mundo se modernizou, o mercado de trabalho se modernizou e o mundo acadêmico acompanhou essa evolução natural. O preconceito está na cabeça dos retrógrados que não estão abertos às mudanças que a Era do Conhecimento nos exige.

    Parabéns pelo Blog, adorei e com certeza estou me tornando seguidora!

    Abraço e sucesso!

    SIMONI AQUINO
    Consultora de RH e Gestão de Pessoas
    www.alemdorh.blogspot.com

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