quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A realidade da escola: um mundo que poucos conhecem

Por Denise B. Garcia *


A realidade que se vê dentro da escola é bem diferente daquela estudada nos livros de pedagogia. O que predomina é a pedagogia tradicional, onde se vê professores nas salas de aulas enchendo o quadro de textos e os alunos escrevendo sem parar em seus cadernos. Não se vê profissionais criativos e divertidos como costumamos ver em cursinhos de pré-vestibular. Além disso, houve-se muito o professor gritar com o aluno mostrando-se impaciência, despreparado e desmotivado para sua importante função.

Vê-se também “educador” debochando de aluno e até usando palavras humilhantes contra o discente na frente de outros colegas. Pode-se dizer que tem aluno que sofre bulling dentro da escola, vitimados pelos próprios professores. Em conseqüência disso, forma-se um aluno com medo de se expressar, desconcentrado nas aulas e despreparado para enfrentar o mundo. 

A escola e os pais são responsáveis por formar cidadãos de bem, principalmente na primeira infância. Contudo, se a criança não encontra apoio na família nem na escola, onde ela irá achar? Pode ter certeza que pessoas de má índole darão um jeito de cuidar dessa criança.

O governo faz a parte dele, criando projetos que possibilite a permanência das crianças por mais tempo na escola. Mas de que adianta o aluno passar o dia inteiro numa Instituição de ensino recebendo educação de péssima qualidade?

É triste ver que a realidade da escola está mais para passar o aluno de ano do que realmente educá-lo. Segundo alguns professores, “isso é responsabilidade dos pais”. Ainda assim, haverá professores e gestores que não admitem essa triste realidade da escola.

O governo cria projetos de alfabetização e programas como o "Mais Educação" e "Mais tempo na escola", mas na prática parece que as coisas não estão funcionando tão bem assim, pois esbarram com o despreparo dos professores e a falta de estrutura física para colocar em prática tais projetos. Quando é que alguém vai acordar para essa situação?

Sabemos que não são todas as escolas nem todos os professores que se encontram dessa maneira, pois também se vê professores - infelizmente pouquíssimos - que dão o “sangue” pelo trabalho e que amam o que fazem.

Mas espera-se que um dia tudo isso mude. E mude para melhor, pois temos muitas crianças crescendo e se “formando” e que terão como profissão não a de médico, professor ou filósofo, mas sim, traficantes e outros tipos de criminosos. Sem orientação, sem apoio, muitas crianças se tornarão mães solteiras e pais sem carinho algum com os filhos, pois o mundo que conhecem é o das drogas, o preconceito, a falta de educação que deveria prepará-los para a vida.

O professor tem de gostar do que faz e sua única motivação não pode ser a falta de opção melhor nem o salário. Que não é tão atrativo assim. 

Todo profissional da educação deveria ter em mente uma coisa: que obra deixará para aqueles que hoje estão na condição de aprendizes, mas que amanhã poderão tomá-los como exemplo, tornando-se também educadores de crianças, jovens, adultos, idosos?

Certamente aqueles professores que não foram bons exemplos não terão seus nomes perpetuados na história, pois não deixaram marcas agradáveis em seus alunos, mas tão somente cicatrizes. Portanto, devemos rever a qualidade da educação ensinada, pois se queremos um País melhor, a mudança deve começar dentro de cada um, em casa e principalmente na escola.
________________________
*Denise B. Garcia é Especialista em Gestão Avançada de Pessoas pelo UniSEB COC, graduada em Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos pela UMESP e graduanda em Pedagogia pela UNIP.