quinta-feira, 15 de maio de 2014

A alegoria da caverna, de Platão, e a realidade brasileira: simples coincidência?

Por Moacir Garcia


Considerado um dos textos mais conhecidos do filósofo Platão, principal discípulo de Sócrates, o mito ou alegoria da caverna nos remete à reflexão sobre o mundo em que vivemos. Esse mundo de aparências percebidas pelos nossos sentidos nos cega em relação à realidade, levando-nos a crer que tudo que percebemos é, de fato, real. Contudo, ao refletirmos um pouco, percebemos que vivemos num mundo de sombras, tomando como verdades aquilo que não vai além do senso comum. 

Acreditamos que tudo é perfeito: se estamos empregados, se temos salário, um lar, se estamos sobrevivendo. Todavia, a realidade não é assim. Estamos presos a crenças e preconceitos que nos impedem de ver além do que percebem nossos sentidos. E a saída dessa “caverna” de ignorância não é um processo fácil, requer sacrifício. Muitos optam pelo caminho mais cômodo, permanecendo na condição de “prisioneiro”, aceitando as “sombras”, os restos, como se fosse o mundo real. 

Felizmente, nem todos estão satisfeitos com migalhas, com ilusões. E buscam se libertar das “correntes” que nos amarram no fundo da “caverna”, e assim, buscam, por meio de estudos ou de trabalho intelectivo, ampliar seus horizontes, saindo das sombras em busca da luz do sol da verdade. 

Certamente para este “prisioneiro” rebelde, a claridade irá ofuscar seus olhos, então acostumados com a “política de pão e circo”, com o “programa bolsa família”, com futebol, com carnaval, etc, que nos cega para os problemas do mundo real, já que vivemos no mundo das sombras da ignorância.

Por fim, é preciso buscar sair do mundo das sombras. Isso é possível por meio de leitura de literatura brasileira e de obras clássicas estrangeiras, assistindo a programas televisivos de qualidade, participando de conversas com pessoas sábias e muito mais. Quem sabe, assim, não passemos a perceber muito mais que aquilo que nos mostra, rudimentarmente, nossos falhos sentidos?!